Taxas dos DIs fecham com leves altas com IPCA-15 e exterior no foco
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 27 Mai (Reuters) - Após cederem durante boa parte da sessão, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) se recuperaram na reta final da sessão e fecharam a quarta-feira com leves altas, em um dia marcado por dados de inflação acima do esperado no Brasil e por idas e vindas do noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,855%, em alta de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,82% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,005%, com elevação de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,988%.
No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma espécie de prévia da inflação oficial, subiu 0,62% em maio, mais que a taxa de 0,53% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Em abril, a taxa havia sido de 0,89%.
Nos 12 meses até maio, o índice passou a acumular alta de 4,64% - acima da expectativa de 4,55% dos economistas e do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 4,5%.
A abertura do indicador também sugeriu um cenário ainda de pressão de preços. A inflação de serviços, conforme cálculos do banco Bmg, acelerou de 0,02% em abril para 0,48% em maio.
A taxa dos serviços subjacentes -- que exclui itens mais voláteis -- passou de 0,45% para 0,53%, enquanto a inflação dos serviços intensivos em mão de obra foi de 0,64% para 0,60%, de acordo com o Bmg. A taxa média dos núcleos de inflação acompanhados pelo BC quase não variou, indo de 0,47% para 0,48%, segundo os cálculos do banco.
“Recentemente, revisamos a expectativa para a inflação IPCA de 2026 para 5,6% e de 2027 para 5,0% -- acima do teto da meta para a inflação”, pontuou Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, após a divulgação do IBGE.
“Por conta disso, vemos o ciclo de calibração da política monetária próximo do fim e revisamos nossa estimativa de taxa Selic ao fim do ano para 14% ao ano”, acrescentou.
Ainda que os números inspirem cautela por parte do Banco Central na política monetária, a curva a termo brasileira cedeu durante boa parte do dia.
Operador ouvido pela Reuters durante a tarde pontuou que, mais do que o IPCA-15 pressionado, o exterior fez preço na curva brasileira.
A TV estatal do Irã disse que Teerã obteve um esboço de estrutura para um acordo com os EUA que restauraria a navegação no Estreito de Ormuz dentro de um mês, em troca de uma retirada militar norte-americana e do levantamento do bloqueio naval.
Por outro lado, a Casa Branca afirmou que a reportagem da TV estatal do Irã citando o esboço não era verdadeira. À tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que ainda não estava satisfeito em relação a um acordo, acrescentando que o país não estava discutindo a flexibilização das sanções contra o Irã.
Apesar do cenário ainda nebuloso, o petróleo Brent recuou para abaixo dos US$95 o barril e os rendimentos dos Treasuries cederam, pesando sobre as taxas dos DIs durante a maior parte do dia.
No fim da tarde, as taxas viraram para o território positivo no Brasil, ainda que os rendimentos dos Treasuries seguissem em baixa. Às 16h38, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,483%.
Internamente, destaque ainda para a aprovação, pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, da proposta que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho semanal.