Tarifas dos EUA afetariam 21% do que o Brasil vende, diz ministro
2 Jun (Reuters) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira que a mais recente proposta de tarifas dos EUA sobre exportações brasileiras afetaria cerca de 21% do que Brasil vende.
O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs uma nova tarifa punitiva de 25% sobre diversos produtos do Brasil por supostas práticas desleais, citando do comércio digital ao desmatamento ilegal.
De acordo com Rosa, os setores de máquinas e equipamentos, plásticos, madeira, papel cartão, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos seriam mais atingidos, caso a tarifação seja colocada em prática. Os EUA têm até 15 de julho para tomar "medidas de resposta" no âmbito da investigação sobre o Brasil.
Durante fala a jornalistas em Brasília, Rosa afirmou ainda que Pix não está na mesa de negociação com os EUA.
"Não há hipótese disso", disse.
Um dos pontos questionados pelos EUA é justamente o uso do Pix no Brasil, que estaria gerando uma concorrência desleal contra as empresas norte-americanas de cartão de crédito.
Na mesma coletiva, o vice-presidente Geraldo Alckmin qualificou a recomendação do USTR para adoção de tarifas contra o Brasil como "totalmente descabida".
"O Brasil vai trabalhar para que as tarifas não ocorram. O caminho é do diálogo, que já vinha ocorrendo", afirmou, acrescentando que "falsos patriotas sabotadores" estão colocando os interesses eleitorais acima do país.
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência, de ser traidor e vendilhão da pátria. Ele vinculou Flávio e o irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, a decisões recentes dos EUA contra o Brasil.
(Reportagem de Lisandra Paraguassu, em Brasília; texto de Fabrício de CastroEdição de Alexandre Caverni)