"Adoro a inflação", diz Trump, enquanto preços sobem em meio à guerra com o Irã

Publicado em 10/06/2026 16:55 e atualizado em 10/06/2026 17:36

Por Bo Erickson e Susan Heavey

WASHINGTON, 10 Jun (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pareceu, nesta quarta-feira, acolher os dados de alta da inflação de mais de 4%, dizendo a jornalistas “adorar” a inflação e reiterando sua convicção de que os preços vão cair assim que a guerra com o Irã terminar.

Questionado sobre os dados do governo dos EUA apontando que a inflação ao consumidor cresceu em maio no ritmo mais rápido dos últimos três anos, e se isso poderia prejudicar seus pares republicanos a poucos meses das eleições de meio de mandato, em novembro, Trump disse: “Eu adoro a inflação”.

O presidente explicou então como aprovou um plano para passar secretamente petroleiros pelo Estreito de Ormuz devido a preocupações com custos mais altos e aumento da inflação.

“Para mim, valeu a pena”, disse Trump sobre seu cálculo, considerando a operação um sucesso.

“Quando tudo acabar, vocês verão o petróleo cair para o nível em que estava antes”, disse Trump sobre a guerra em larga escala. “Ele está caindo. Vai cair como uma pedra.”

Trump chamou a guerra contra o Irã de desvio e a enquadrou como uma questão de segurança nacional, já que o fechamento da importante rota marítima por Teerã elevou o custo da gasolina, dos fertilizantes e de outros bens, contribuindo para a inflação.

Preços mais altos também podem oferecer obstáculos ao Federal Reserve para a redução das taxas de juros, o que poderia diminuir os custos dos empréstimos — algo que Trump vem pedindo desde que voltou ao poder, no ano passado.

Republicanos buscam manter o controle da Câmara dos Deputados dos EUA e do Senado dos EUA, mas temem que uma reação negativa dos consumidores possa entregar as rédeas aos democratas, já que o custo de vida continua sendo uma das principais preocupações dos eleitores.

O próprio Trump venceu a eleição presidencial de 2024 em grande parte devido à promessa de campanha de reduzir a inflação, mas, desde então, viu sua popularidade, inclusive em relação à gestão do custo de vida, cair para o nível mais baixo de sua carreira política.

Mesmo que Trump e Teerã cheguem a um acordo em breve, a expectativa é de que demore meses para que os suprimentos comecem a circular, com interrupções previstas até 2026. E embora os norte-americanos possam estar mais protegidos contra choques nos preços dos combustíveis do que outras nações, os preços mais altos da energia podem, com o tempo, prejudicar os gastos dos consumidores.

No mês passado, Trump afirmou que as dificuldades financeiras dos norte-americanos não eram um fator a ser considerado enquanto pressiona por um acordo, mesmo ameaçando novos ataques ao Irã.

“Não penso na situação financeira dos norte-americanos. Não penso em ninguém. Penso em uma coisa: não podemos permitir que o Irã tenha uma arma nuclear."

(Reportagem de Bo Erickson e Susan Heavey)

Fonte: Reuters

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