Brasil usará reciprocidade na hora adequada e apoiará setores afetados por tarifas, diz Alckmin
BRASÍLIA, 16 Jul (Reuters) - O governo brasileiro saberá como implementar no momento adequado a Lei de Reciprocidade para responder às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, e terá um programa de apoio aos setores afetados do país, disse nesta quinta-feira o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
Em entrevista coletiva convocada pelo governo para responder às tarifas anunciadas de madrugada pelos EUA, Alckmin disse que a medida do governo Trump é injusta e descabida, acrescentando que os argumentos apontados partem de uma base "totalmente falsa".
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, que também participou da entrevista ao lado de outros ministros, disse que o governo reativará o programa Brasil Soberano para fornecer apoio aos setores mais afetados pela nova tarifa, com a perspectiva de já adotar alguma iniciativa no início de agosto.
Segundo Durigan, o montante que será oferecido em suporte deverá ser inferior ao das outras edições do plano, uma vez que as exceções à nova taxação foram maiores, e será definido a partir de conversa com os setores mais afetados.
Em setembro do ano passado, com o lançamento do Brasil Soberano, o governo liberou R$30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações para fornecer crédito mais barato e outros benefícios a setores afetados pelas tarifas dos EUA. A segunda edição do programa, anunciada em março e voltada também a setores afetados pela guerra no Oriente Médio, estabeleceu R$15 bilhões adicionais em linhas de crédito sob gestão do BNDES.
Alckmin mencionou, na entrevista, que nos últimos 15 anos os EUA tiveram superávit de US$424 bilhões na relação comercial com o Brasil.
(Reportagem de Lisandra ParaguassuEdição de Pedro Fonseca e Isabel Versiani)