Índice de atividade econômica do BC sobe 0,1% em maio e supera expectativas

Publicado em 17/07/2026 10:14 e atualizado em 17/07/2026 10:51

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 17 Jul (Reuters) - A atividade econômica no Brasil teve um desempenho melhor do que o esperado em maio, mesmo em meio a um cenário de perdas na agropecuária e expectativa de desaceleração da economia no restante do ano diante de uma política monetária ainda restritiva.

Em maio, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,1% na comparação com o mês anterior, mostraram dados dessazonalizados.

O resultado de maio foi melhor do que a expectativa apontada por economistas em pesquisa da Reuters de estagnação.

No entanto, o indicador mostrou enfraquecimento em relação à taxa de crescimento de 0,4% de abril, em dado revisado pelo BC depois de ter informado anteriormente ganho de 0,5%.

"O cenário observado até aqui no segundo trimestre deve ditar a tônica do ritmo de expansão da atividade no decorrer dos próximos períodos, com ganho de tração apenas gradual após o crescimento mais tímido entre abril e junho, estimado por nós em 0,4%", disse Matheus Pizzani, economista do PicPay.

Os dados do BC apontam que em maio a agropecuária pressionou a economia ao registrar queda de 1,0% sobre abril. Já a indústria e os serviços tiveram altas modestas, de 0,4% e 0,1%, respectivamente.

Dados separados do IBGE já haviam mostrado que tanto a indústria quanto varejo e serviços apresentaram resultados fracos em maio.

A produção industrial recuou 0,2% sobre abril, segundo o instituto, contra expectativa de alta. O volume de serviços, de acordo com o IBGE, também frustrou a expectativa de ganhos, com queda de 0,4% no mês, enquanto as vendas no varejo voltaram a crescer, mas abaixo do esperado, com alta de 0,1%.

"O avanço de apenas 0,1% do IBC-Br no mês, somado aos resultados mais moderados observados no comércio e nos serviços, reforça a percepção de perda de fôlego da economia após o desempenho mais forte registrado no início do ano", avaliou Leonardo Costa, economista do ASA, calculando expansão de 0,5% do PIB no segundo trimestre.

No mês passado, o BC cortou a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano, e indicou que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes à frente para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028, um prazo mais longo do que o usual.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 0,8%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,4%, de acordo com números não dessazonalizados.

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2026 é de 1,99%, indo a 1,65% em 2027.

O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.

(Por Camila Moreira; edição de Isabel Versiani)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Ibovespa fecha quase estável com Petrobras atenuando pressão de bancos
Exterior conduz alta do dólar ante o real em dia de busca por segurança
Lula diz que só falará de tarifaço após manifestação de Trump e que ninguém vencerá o Brasil mentindo
Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros amplia incertezas para exportadores e reforça necessidade de diversificação de mercados
Durigan diz que não cabe falar em retaliação aos EUA por tarifas, mas governo avalia reciprocidade
S&P 500 e Nasdaq recuam com perdas no setor de chips; Netflix registra queda