Atividade resiliente e desancoragem de expectativas demandam juros restritivos por mais tempo, diz Galípolo

Publicado em 24/07/2026 13:14 e atualizado em 24/07/2026 14:04

24 Jul (Reuters) - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou nesta sexta-feira que a economia e o mercado de trabalho no Brasil estão resilientes, reforçando que o cenário atual, que inclui expectativas de inflação desancoradas, demanda juros em patamar restritivo por mais tempo.

"Os sinais que a gente tem da economia brasileira são ainda de uma economia com o mercado de trabalho bastante resiliente, uma atividade econômica que se mostra ainda resiliente, e a preocupação adicional das expectativas (de inflação), que já estavam parcialmente desancoradas, e desancoram ainda um pouco mais", disse em participação no evento Expert XP 2026, promovido pela XP, em São Paulo.

"Isso obviamente é uma preocupação adicional que nos recomenda permanecer com uma taxa de juros num patamar restritivo por um período mais longo."

O boletim Focus do BC mostra que o mercado espera uma inflação de 4,20% em 2027, contra 4,15% um mês atrás, com expectativa em 3,78% para 2028, ante 3,70% há um mês.

Galípolo afirmou que o BC tem se colocado dependente de dados, buscando tomar tempo para analisar o cenário e enxergar "tendência de maneira mais clara" antes de tomar decisões.

"A gente vai seguir acompanhando os dados com a convicção de que o cenário atual demanda taxas de juros em patamar restritivo", disse.

A Selic está atualmente em 14,25% ao ano, e o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá novamente no início de agosto para discutir uma nova taxa. No mercado, os investidores estão posicionados de forma majoritária para uma nova redução de 25 pontos-base, mas há dúvidas sobre a continuidade deste processo de cortes nos meses seguintes, em parte por conta da disparada do petróleo.

O presidente do BC afirmou que a autarquia acompanha os desdobramentos das variações de preços do petróleo dia a dia, mas ponderou que o Brasil está melhor posicionado por ser exportador líquido da commodity, citando também o diferencial de juros em relação a outros países como uma linha de defesa do país.

Galípolo acrescentou que o fenômeno El Niño não tem um comportamento padrão a cada ocorrência, sendo difícil extrair uma tendência clara dos efeitos a serem observados nos próximos meses.

Ele avaliou que é "bastante complexo" separar atualmente o que são efeitos do choque de oferta sobre a inflação e o que é fruto de uma resiliência maior da atividade econômica brasileira.

Nos últimos dias, a reaceleração dos preços do petróleo nos mercados internacionais, na esteira do conflito entre Irã e EUA, tem reforçado preocupações entre analistas sobre os efeitos deste choque na inflação nos países, incluindo no Brasil.

Galípolo reafirmou que o BC manterá serenidade e parcimônia em suas decisões, reforçando que o Copom considera "diversos planos de voo" para atingir a meta de inflação de 3%, inclusive com avaliações sobre possível pausa e retomada no ciclo de calibração dos juros.

Em sua decisão de juros do mês de junho, o BC indicou que combinaria momentos de pausa e retomada no ciclo da Selic para levar a inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, um prazo mais longo do que o usual.

(Reportagem de Bernardo Caram; reportagem adicional de Fabrício de Castro; edição de Isabel Versiani)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Pequenas empresas dos EUA entram com ação judicial contestando tarifas de Trump por "trabalho forçado"
Trump diz que EUA vão iniciar investigação sobre UE após multa aplicada ao Google
BCE enfrenta choque inflacionário de magnitude média; inflação chegará a 2% em cerca de um ano, afirma Lane
Ações europeias sobem com grupo SAP impulsionando setor de tecnologia
Atividade resiliente e desancoragem de expectativas demandam juros restritivos por mais tempo, diz Galípolo
Trump adverte China e Rússia contra envolvimento em guerra no Irã