Dólar fecha em queda no Brasil em linha com exterior após Tesouro dos EUA anunciar recompra de títulos
Por Igor Sodre
SÃO PAULO, 19 Ago (Reuters) - O dólar fechou a quarta-feira em queda firme contra o real, refletindo a fraqueza da divisa norte-americana no mercado internacional desencadeada por anúncio do Tesouro dos Estados Unidos de que irá dobrar o tamanho de algumas operações de recompra de títulos.
O dólar à vista fechou em queda de 0,86%, aos R$5,1777 na venda.
Às 17h31, o contrato de dólar futuro para setembro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- caía 0,72% na B3, aos R$5,1920.
Nesse mesmo horário, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,83%, a 98,817.
Nesta quarta-feira, o Tesouro norte-americano anunciou a duplicação do volume das recompras de títulos com vencimentos de 10 a 30 anos para pelo menos US$4 bilhões por operação entre 9 de setembro e 4 de novembro.
O movimento se deu um dia após uma grande onda de vendas de títulos ter derrubado o preço dos papéis e empurrado o rendimento dos títulos de 30 anos para seu nível mais alto desde 2007, em meio a temores de uma escalada iminente na guerra dos EUA e Israel contra o Irã e crescentes preocupações com a deterioração do quadro fiscal dos EUA.
Segundo a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, quando o Tesouro anuncia que vai comprar ativamente esses papéis, ele gera uma demanda artificial que eleva o preço dos títulos. "O reflexo dessa queda nos juros americanos é a perda de força do dólar frente às outras moedas globais", disse a estrategista.
"Grande parte do capital mundial estava estacionada nos Estados Unidos aproveitando justamente aquelas taxas de juros altíssimas e extremamente seguras. Quando o Tesouro atua para derrubar esses juros longos, o dólar perde parte do seu apelo. Isso faz com que investidores saiam de lá em busca de rentabilidade em mercados emergentes, como o Brasil", completou Nossig.
Para o estrategista da Empiricus Research, Matheus Spiess, o movimento dos Títulos dos EUA potencializou um esperado ajuste no mercado de câmbio doméstico.
"O mercado ficou meio sobrevendido, com muita saída de gringo. Então é natural que aconteça um ‘rebound’”, disse Spiess, referindo-se à forte desvalorização do real observada na semana passada, a qual foi motivada pela intensa saída de capital estrangeiro do mercado local por conta da cautela gerada pelo cenário eleitoral, que segue no radar, em meio a preocupações fiscais.
Em segundo plano, o mercado também avaliou nesta quarta-feira a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, divulgada no meio da tarde. O documento mostrou que a preocupação com a inflação se aprofundou na reunião do Fed no mês passado, com “vários” formuladores de política monetária dispostos a aumentar as taxas de juros e “muitos” afirmando que um aumento nos custos de empréstimos seria necessário caso a inflação não caísse para a meta de 2% do banco central dos EUA.
(Por Igor Sodré; edição de Isabel Versiani)