Desemprego no Brasil cai a 5,3% no tri até julho, menor valor da série para o período

Publicado em 27/08/2026 10:23 e atualizado em 27/08/2026 12:12

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 27 Ago (Reuters) - A taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,3% nos três meses até julho, menor valor para o período da série histórica do governo, com queda no número de pessoas sem emprego e recorde de população ocupada, mostrando que o mercado de trabalho segue resiliente.

Os dados, divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram ainda um recuo na renda média mensal dos trabalhadores.

Nos três meses imediatamente anteriores, até abril, a taxa de desemprego foi de 5,8% e no mesmo período do ano anterior ficou em 5,6%. O novo resultado ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters. A série histórica do instituto começou em 2012.

Para analistas, a taxa de desemprego no Brasil deve permanecer em níveis historicamente baixos mesmo com uma esperada desaceleração da economia no segundo semestre, sem sinais de deterioração mais intensa no mercado de trabalho.

Esse cenário, somado à renda em níveis altos, traz no entanto preocupações quanto à inflação, bem como os estímulos fiscais e de crédito do governo. Isso dificulta o controle do aumento de preços por parte do Banco Central, que no início do mês cortou a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto.

“O mercado de trabalho está funcionando equilibrado, e mostra que se adaptou à taxa de juros nesse patamar. O mercado caminha a despeito da política monetária", disse o analista do IBGE William Kratochwill, acrescentando que boa parte do aumento do emprego veio da construção civil, "o que mostra ainda uma força da economia".

"Vem aí a eleição e ela pode ter um efeito na contratação temporária de pessoas e ajudar na taxa", completou.

Nos três meses até julho houve queda de 8,0% no número de desempregados na comparação com os três meses imediatamente anteriores, chegando a 5,819 milhões, o que representa ainda recuo de 4,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O período foi marcado ainda por alta de 1,0% no total de ocupados na comparação trimestral e de 0,9% na base anual, atingindo 103,335 milhões, maior nível da série histórica.

O total de trabalhadores com carteira assinada no setor privado também foi o maior da série histórica, 39,428 milhões, com alta de 0,4% sobre o trimestre até abril e de 0,8% ante o mesmo período do ano anterior.

Os que não tinham carteira subiram 3,6% nos três meses até julho ante o trimestre imediatamente anterior e 2,1% sobre o ano anterior, a 13,753 milhões.

No entanto, a renda média mensal caiu a R$3.762 no trimestre até julho, contra R$3.786 nos três meses até abril, um recuo de 0,7%.

"Depois de tantas contratações nos últimos meses e trimestres, o que pode estar acontecendo é a entrada de pessoas com salários mais perto da média, e isso tem feito a renda andar menos", explicou o analista do IBGE.

(Edição de Isabel Versiani)

Fonte: Reuters

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