Retração da indústria da China perde força, mas fraqueza de serviços indica recuperação desigual
Por Yukun Zhang e Liz Lee
PEQUIM, 31 Ago (Reuters) - A atividade industrial da China melhorou em agosto devido à demanda mais forte mas permaneceu em contração, enquanto os serviços continuaram fracos, ressaltando o aprofundamento dos desequilíbrios na economia e alimentando os pedidos por medidas para impulsionar a economia.
A divergência entre os setores industrial e de serviços sugere que a China continuará a depender da manufatura e das exportações para impulsionar o crescimento, já que o ritmo de expansão permanece sob pressão devido ao consumo interno e aos investimentos pouco animadores.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) oficial do setor industrial subiu de 49,2 em julho para 49,8 em agosto, permanecendo abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas. O resultado ficou acima da previsão de 49,6 em uma pesquisa da Reuters.
Os dados do escritório mostraram que tanto a demanda quanto a produção melhoraram em agosto, com os subíndices de novos pedidos e produção retornando à zona de expansão, acima de 50.
“A demanda interna parece estar se recuperando, embora seja mais provável que isso tenha sido impulsionado pela inteligência artificial e pelas exportações do que pela expansão das políticas”, disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit.
O PMI do setor não industrial, que abrange serviços e construção, repetiu a leitura de julho de 49,0, a mais fraca desde dezembro de 2022.
“Como o setor de serviços da China é voltado principalmente para o mercado interno, isso sugere que a demanda interna permaneceu relativamente fraca em agosto”, afirmou Lynn Song, economista-chefe do ING para a Grande China, em uma nota. “Por enquanto, os dados do PMI sugerem que teremos mais um mês de atividade interna relativamente fraca em agosto, com qualquer possível recuperação provavelmente sendo limitada.”
Dados econômicos divulgados no início deste mês mostraram que o crescimento continuou sob pressão no início do segundo semestre, com o consumo de bens e a produção industrial apresentando desaceleração.
O investimento em ativos fixos ampliou a queda, e o mercado imobiliário ainda luta para se recuperar após mais de cinco anos de recessão.
(Reportagem de Yukun Zhang e Liz Lee)