Dólar cai por terceira sessão seguida após Flávio se aproximar de Lula em pesquisa

Publicado em 02/09/2026 17:20

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 2 Set (Reuters) - O dólar recuou ante o real nesta quarta-feira pela terceira sessão consecutiva, após nova pesquisa eleitoral indicar queda na distância numérica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.

O dólar à vista encerrou o dia com recuo de 0,91%, aos R$5,1065, o menor valor de fechamento desde 7 de agosto, quando marcou R$5,0845.

Nas últimas três sessões, a moeda acumulou baixa de 1,72% e, no ano, tem queda de 6,97%.

Às 17h03, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,96% na B3, aos R$5,1380.

A nova pesquisa Quaest revelou que Lula tem 42% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 41% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicando um empate técnico entre os dois, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Numericamente a distância entre os dois diminuiu de 3 pontos percentuais na pesquisa anterior para 1 ponto agora.

No primeiro turno, Lula tem 37%, Flávio soma 29% e Augusto Cury (Avante) aparece com 10%.

Logo após a divulgação da pesquisa, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) renovaram mínimas, assim como o dólar ante o real, enquanto o Ibovespa atingiu máximas, em uma reação positiva dos agentes.

De modo geral, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio -- como a redução numérica da distância para Lula -- têm se refletido positivamente nos ativos.

"Independentemente de quem esteja do outro lado, o mercado é mais simpático à candidatura que não seja a do Lula, em função das contas públicas", resumiu o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, citando ainda a disparada da bolsa de ações como um fator favorável à queda do dólar ante o real. "O investidor estrangeiro parece estar voltado para o Brasil", acrescentou.

Após atingir a máxima intradia de R$5,1702 (+0,33%) às 10h15, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,0984 (-1,07%) às 13h20, já após a divulgação da pesquisa Quaest.

Durante o dia, os agentes também estiveram atentos aos desdobramentos do noticiário sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo BC.

Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Profissionais ouvidos pela Reuters na véspera e nesta quarta-feira afirmaram que um dos pontos centrais será medir o impacto do escândalo envolvendo Moraes nas pesquisas eleitorais.

Bandeira de Lula na campanha, a proposta de fim da escala de trabalho 6x1 foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado durante a tarde e agora segue para o plenário.

Apesar dos recuos recentes do dólar, ao considerarem o cenário mais geral, analistas ouvidos em pesquisa da Reuters avaliaram que, independentemente da vitória de Lula ou de Flávio, a moeda norte-americana deve subir ligeiramente no médio prazo. Em um ano, a previsão mediana é de que o dólar atinja R$5,23. A estimativa foi gerada em consulta a 26 estrategistas de câmbio entre 31 de agosto e 2 de setembro.

No exterior, o petróleo Brent chegou a operar em baixa mais cedo, mas voltou a subir durante a sessão, para acima dos US$95 o barril, em um cenário geopolítico ainda conturbado.

As forças norte-americanas atacaram a costa sul do Irã, que revidou disparando contra bases dos Estados Unidos em todo o Oriente Médio, no maior confronto armado entre os dois países desde julho.

Às 17h10, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,13%, a 99,548.

No fim da manhã, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de outubro. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$3,095 bilhões em agosto até o dia 28.

(Edição de Isabel Versiani)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dólar cai ante real após pesquisa mostrar Flávio mais próximo de Lula no segundo turno
Taxas dos DIs fecham em baixa após pesquisa indicar distância menor entre Lula e Flávio
Dólar sobe 1% ante real em sessão negativa para ativos brasileiros
Taxas dos DIs com prazos longos caem após pesquisa menos favorável a Lula
Dólar cai ante real com exterior, política local e dados de atividade no radar