Irã diz que anunciará nova zona restrita no Golfo Pérsico

Publicado em 07/09/2026 06:29 e atualizado em 07/09/2026 07:59

DUBAI, 6 Set (Reuters) - O Irã afirmou que anunciará uma nova zona restrita no Golfo nos próximos dias, juntamente com mapas de um novo corredor de navegação pelo Estreito de Ormuz, enquanto uma troca de ataques contra navios ocorrida no fim de semana fez com que os preços do petróleo subissem nesta segunda-feira.

A nova zona restrita terá início no ponto onde começa o bloqueio dos EUA ao Irã e se estenderá por áreas do Golfo, afirmou Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, no domingo, em entrevista à TV estatal.

Poucos detalhes foram fornecidos sobre o plano, mas Rezaei disse que qualquer navio que entrar na nova zona será incluído em uma lista de sanções.

Além disso, mapas detalhando as rotas de passagem pelo Estreito de Ormuz — um importante corredor energético amplamente fechado ao tráfego de petroleiros — também seriam aprovados em breve, disse Rezaei.

"Os mapas de um novo corredor internacional, localizado em águas iranianas e omanis e cuja gestão caberá ao Irã, já foram acordados e devem ser assinados nos próximos dias", acrescentou.

"Só nos comprometeremos a manter o Estreito de Ormuz aberto quando eles (os norte-americanos) cessarem a sabotagem, as ameaças e os ataques contra o Irã", acrescentou Rezaei.

Seis meses após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã terem desencadeado a guerra, o conflito parece estar em um impasse. Um acordo preliminar de cessar-fogo alcançado em junho desmoronou, e houve pouco progresso nos esforços diplomáticos para retomar o processo de paz.

Após uma pausa nas ações militares durante grande parte de agosto, os ataques recíprocos foram retomados. As forças americanas atacaram três petroleiros iranianos no sábado, informou o Comando Central dos EUA, incluindo um ao largo da Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã, após ataques da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã a navios de guerra norte-americanos na região.

Teerã demonstrou que mantém a capacidade de atacar interesses dos EUA em países vizinhos e de interromper o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo antes do conflito.

Uma média de 10 navios de carga transitou pelo estreito por dia nos últimos 10 dias, o menor número desde maio, de acordo com dados de transporte marítimo divulgados nesta segunda-feira. Isso ajudou os preços do petróleo a ampliar os grandes ganhos da semana passada, com o petróleo Brent subindo 0,8%, para mais de US$97 por barril.

SANÇÕES E BLOQUEIO PETROLÍFERO PRESSIONAM ECONOMIA

O Irã afirmou que intensificará os esforços para lidar com os problemas criados pelas sanções dos EUA, que estão prejudicando sua economia.

No entanto, a campanha dos EUA para sufocar a economia iraniana por meio do bloqueio às exportações de petróleo e do combate à evasão das sanções está se tornando cada vez mais difícil de suportar, segundo três fontes iranianas de alto escalão.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, disse no domingo que os EUA deveriam entender que as regras do jogo mudaram "antes que seja tarde demais".

"A partir de agora, qualquer ataque contra os interesses e a segurança do Irã receberá uma resposta mais rápida, mais contundente e mais dolorosa", disse ele em um discurso publicado em seu canal no Telegram.

Qalibaf disse que, além da frente militar, a principal batalha do Irã agora é em torno da produção e dos meios de subsistência da população.

Ele citou as fortes flutuações cambiais, a inflação, o desemprego e a gestão do mercado como os principais desafios, acrescentando que os iranianos poderiam tolerar as dificuldades, mas não a má gestão ou a inércia, e esperavam que o governo agisse rapidamente.

O ministro da Economia do Irã, Ali Madanizadeh, disse que Teerã planejava responder à pressão econômica dos EUA com reformas e rejeitou a ideia de que as sanções o levariam a mudar de rumo, segundo a mídia estatal no domingo.

"Eles falam de pressão econômica e isolamento, de romper laços financeiros, e acham que, ao pressionar a economia de um país, podem mudar as decisões de seu povo", disse Madanizadeh.

"Preciso esclarecer um ponto: a responsabilidade pela reforma da economia do Irã é do governo e do povo iraniano, não do Departamento do Tesouro dos EUA."

IRÃ DIZ QUE ILHA DE KHARG FOI ATINGIDA 550 VEZES NOS ÚLTIMOS MESES

O Irã é o terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e exportava 90% de seu petróleo bruto por meio de seu centro de exportação na Ilha de Kharg antes da guerra. Os fluxos foram interrompidos desde que o bloqueio dos EUA às exportações de petróleo iraniano começou em meados de abril.

O Comando Central dos EUA informou no X que, até domingo, havia redirecionado 92 embarcações comerciais, imobilizado três e abordado duas para garantir o cumprimento rigoroso do bloqueio.

Em 31 de agosto, o presidente dos EUA, Donald Trump, publicou um post de uma linha nas redes sociais acompanhado por um vídeo gerado por IA mostrando a Ilha de Kharg sendo "reduzida a pedacinhos". As autoridades iranianas prometeram uma resposta contundente caso Kharg seja atacada.

Em entrevista transmitida pela TV estatal no domingo, o ministro do Petróleo do Irã, Mohsen Paknejad, disse que a ilha havia sido atingida cerca de 550 vezes nos meses anteriores, mas continuava em operação.

O bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz elevou os preços dos combustíveis, prejudicando a popularidade de Trump, já que seu Partido Republicano se aproxima das eleições de novembro, quando o controle do Congresso estará em jogo.

No entanto, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que o petróleo estava passando pela via navegável.

"Nossos tráfegos pelo estreito estão em média acima de nove milhões de barris por dia agora e, com os oleodutos de acesso que contornam o estreito, provavelmente estamos em dois terços ou mais dos fluxos anteriores ao conflito. Portanto, os iranianos ainda estão causando problemas, mas a Marinha dos Estados Unidos está vencendo essa batalha", disse ele à CNN.

(Reportagem da Redação de Dubai)

Fonte: Reuters

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