Dólar cai a R$5,0892 com avanço de Flávio Bolsonaro em pesquisas eleitorais
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 8 Set (Reuters) - O dólar fechou a terça-feira pós-feriado na menor cotação em um mês, após novas pesquisas indicarem ligeiro fortalecimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa acirrada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Planalto, enquanto a crise envolvendo o STF também seguiu no foco.
O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,79%, a R$5,0892, menor cotação desde 7 de agosto, quando atingiu R$5,0845. No ano, a divisa passou a acumular queda de 7,28%.
Às 17h05, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,78% na B3, aos R$5,1135.
Na segunda-feira, quando o mercado no Brasil esteve fechado em função do Dia da Independência, pesquisa Quaest mostrou que Lula e Flávio têm 41% das intenções de voto cada um no segundo turno da disputa. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 42% e Flávio somava 41%.
Já a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira mostrou que Flávio passou a ter vantagem numérica sobre Lula no segundo turno. O senador soma 46% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão empatados tecnicamente. Na pesquisa anterior, Flávio tinha 45% e Lula somava 46%.
As duas pesquisas motivaram a euforia vista nos mercados desde cedo, que impulsionou o Ibovespa e o real, enquanto as taxas futuras despencaram.
Em sessões recentes, outras pesquisas mostrando o acirramento da disputa pelo Planalto já haviam trazido um viés de baixa para o dólar ante o real. Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio -- como a eliminação da diferença para Lula no segundo turno -- têm favorecido a queda do dólar.
A crise no STF foi outro ponto de atenção entre os investidores. Nesta terça-feira o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada.
Relator do caso do Banco Master, Mendonça tem travado um embate com o ministro Alexandre de Moraes no STF, em que cada um tem levantado suspeitas contra o outro. Moraes se baseou na quinta-feira passada em relatórios de inteligência produzidos pela PF, comandada por Andrei Rodrigues, para pedir investigações contra Mendonça.
O embate no STF ganhou importância para a disputa eleitoral e, em paralelo, para os mercados no Brasil. Isso porque Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O dólar está cedendo ante o real por conta da eleição mais acirrada. As pesquisas mostram que não vai ser fácil para o presidente Lula ganhar, o que é interessante para o mercado”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, acrescentando que o embate no STF também favorece o movimento.
“Moraes é um fator de dificuldade para o Bolsonaro pai, então o enfraquecimento dele também influencia o câmbio.”
Após marcar a cotação máxima de R$5,1289 (-0,01%) às 9h15, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0713 (-1,14%), em meio ao noticiário sobre o STF.
No exterior, às 17h07, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,03%, a 98,863.
No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de outubro.
(Edição de Isabel Versiani)