Dólar sobe com mercado em busca de proteção antes de novas revelações do caso Master
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 11 Set (Reuters) - O dólar ganhou força ante o real durante a tarde e fechou a sexta-feira em alta, após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, dar 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos das investigações do caso Master.
O receio de que isso traga a público mais informações sobre o escândalo envolvendo o filme Dark Horse, atingindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deu força ao dólar, com investidores fazendo "compras de proteção" antes do fim de semana.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,47%, a R$5,1252. Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,09% e, no ano, queda de 6,63%.
Às 17h04, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,36% na B3, aos R$5,1460.
Fachin acatou pedido da Procuradoria-Geral da República e determinou que Mendonça retire o sigilo de todos os documentos dos inquéritos do caso Master, deixando de fora apenas informações de diligências ainda em curso que, se tornadas públicas, podem prejudicar as investigações.
No mercado, a percepção era de que o fim do sigilo pode atingir a popularidade de Flávio, hoje o principal oponente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral pelo Planalto.
Anteriormente, um áudio em que Flávio pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, para supostamente financiar o filme Dark Horse já havia causado estragos na candidatura do senador. O filme conta a história do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
Na noite desta sexta-feira, também será divulgada a nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial.
"Tem pesquisa para sair, tem o fim de semana, e ninguém sabe o que vem por aí. Então os agentes do mercado se protegem um pouco", comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, ao justificar a busca por dólar antes do fim de semana.
Outros dois profissionais ouvidos pela Reuters confirmaram que a possibilidade de Flávio ser impactado pela quebra de sigilo, além da expectativa antes da nova pesquisa eleitoral, trouxe cautela para os negócios.
Após atingir a cotação mínima intradiária de R$5,0718 (-0,58%) às 10h02, o dólar marcou a máxima de R$5,1342 (+0,64%) às 15h36. Além da alta da moeda norte-americana, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) zeraram as perdas vistas mais cedo, enquanto o Ibovespa renovou a mínima do dia.
No exterior, o dia foi marcado pela divulgação dos números de inflação nos EUA e pelo recuo do petróleo Brent, ainda que o preço do barril seguisse próximo dos US$105.
Às 17h10, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,03%, a 99,114.
(Edição de Isabel Versiani)