Dólar opera próximo da estabilidade com cenário político no radar

Publicado em 15/09/2026 10:31 e atualizado em 15/09/2026 11:01

 

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 15 Set (Reuters) - O dólar opera próximo da estabilidade ante o real nesta manhã de terça-feira, com investidores monitorando com atenção o noticiário político no Brasil, enquanto no exterior a moeda norte-americana também tem variações modestas ante outras divisas de países emergentes.

Às 10h24, o dólar à vista caía 0,08%, a R$5,1448 na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro para outubro -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- tinha baixa de 0,02%, aos R$5,1630.

Mais cedo, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso -- neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

As duas operações simultâneas são conhecidas como "casadão" pelos investidores e dão liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.

Às 11h30, o BC realiza seu leilão regular de rolagem, com oferta de 50.000 contratos de swap cambial tradicional para 1º de outubro.

No campo político, nova pesquisa CNT/MDA, divulgada no início da sessão, destoou de outros levantamentos eleitorais mais recentes ao mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.

Na simulação de segundo turno, Lula tem 47,3% das intenções de voto e Flávio soma 40%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, o petista lidera fora da margem de erro. Na segunda-feira, pesquisas da Quaest e do instituto Nexus mostraram empate técnico entre os dois.

No mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, Flávio tem 52% das apostas de vitória, contra 45% de Lula.

"As pesquisas mais recentes e o Polymarket indicam vitória de Flávio Bolsonaro. Naturalmente que tudo pode mudar, faltam 45 dias para o segundo turno. Em todo caso, começa uma onda de otimismo no mercado", comentou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em relatório a clientes.

"Devemos lembrar o caso das eleições de 2014: a primeira pesquisa de segundo turno mostrou Aécio à frente de Dilma, mas a presidente levou no final e o mercado decepcionou."

Com possíveis implicações para a disputa presidencial, os ministros do STF vão se reunir nesta terça-feira para discutir possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Master.

Em uma manifestação entregue mais cedo ao presidente da corte, Edson Fachin, Moraes negou irregularidades e disse ser vítima de investigação ilegal, com motivação político-eleitoral e de vingança, por ter sido o relator do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.

No exterior, às 10h22 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,13%, a 99,619.

(Por Fabrício de Castro; edição de Isabel Versiani)

Fonte: Reuters

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