Bancos da UE precisam ser maiores para competir com os EUA, dizem autoridades do bloco
Por Jan Strupczewski e Francesco Canepa
DUBLIN/FRANKFURT, 18 Set (Reuters) - Os bancos europeus precisam de maior escala e de mercados de capitais mais profundos para poderem competir com os rivais norte-americanos, afirmaram autoridades europeias de alto escalão nesta sexta-feira, em um momento em que a União Europeia busca fortalecer sua posição em uma economia global cada vez mais competitiva.
Os ministros das Finanças da UE e os presidentes dos bancos centrais se reuniram em Dublin para discutir um relatório da Comissão Europeia que defende menos interferência política nas fusões bancárias, além de remoção de barreiras às operações bancárias transfronteiriças dentro do bloco.
“Se os bancos europeus querem competir diretamente com os grandes bancos dos EUA nessa área, precisam ser capazes de operar em uma escala muito maior, em um mercado de capitais mais profundo”, disse à Reuters o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Boris Vujcic.
Vujcic afirmou que os bancos da UE se comparam bem aos seus pares norte-americanos em termos de liquidez, capitalização, rentabilidade e eficiência, mas ficam atrás nas atividades de negociação e pós-negociação, em contraste com as operações tradicionais de empréstimos e captação de depósitos, nas quais não têm desvantagem relevante.
“Essa é uma área em que a escala realmente faz diferença”, disse.
Um dos casos mais notórios de interferência política em fusões bancárias na Europa ocorreu em junho, quando a Alemanha rejeitou uma oferta do UniCredit, da Itália, para adquirir o Commerzbank. O UniCredit iniciou sua tentativa de aquisição do Commerzbank em setembro de 2024, mas enfrentou forte oposição -- o que ressalta o quão difícil é concretizar negócios bancários transfronteiriços na Europa.
“Uma maior integração e uma consolidação transfronteiriça mais ampla dariam aos bancos europeus a escala necessária para investir, inovar e competir”, disse o presidente do conselho de ministros das Finanças da zona do euro, Kyriakos Pierrakakis. “Precisamos de gigantes bancários europeus capazes de competir globalmente.”
Pierrakakis disse ainda que os maiores bancos dos EUA investem mais de duas vezes e meia em tecnologia da informação, em relação aos seus ativos, do que as instituições financeiras europeias -- uma diferença que importa em áreas como inteligência artificial, pagamentos digitais e segurança cibernética.
Vujcic rejeitou os apelos de alguns bancos por requisitos de capital mais baixos, afirmando que isso não necessariamente impulsionaria os empréstimos e poderia, ao contrário, estimular a recompra de ações.
Em vez disso, ele afirmou que a UE deveria concluir sua união bancária e sua união de poupança e investimentos, para criar um mercado financeiro verdadeiramente integrado.
“O mercado financeiro europeu continua altamente fragmentado em muitos aspectos”, disse Vujcic, citando regimes tributários, regras e sistemas jurídicos divergentes que elevam os custos e reduzem a eficiência.
(Reportagem de Jan Strupczewski)