Paraguai defende retorno da Venezuela ao Mercosul
23 Set (Reuters) - O presidente do Paraguai, Santiago Peña, pediu nesta quarta-feira a reintegração da Venezuela ao bloco comercial sul-americano Mercosul, ao se dirigir aos líderes mundiais na Assembleia Geral da ONU.
A Venezuela foi suspensa por tempo indeterminado como membro do Mercosul, que reúne algumas das maiores economias da América do Sul, incluindo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, cujo país é membro associado do bloco, deve se reunir com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, à margem da Assembleia Geral nesta quinta-feira.
Em seu discurso, Peña também afirmou que deseja ver a Venezuela passar por uma transição democrática genuína e duradoura.
“Queremos uma transição com instituições fortes, segurança, uma economia próspera e uma nação novamente integrada à comunidade internacional e, especificamente, integrada ao Mercosul”, afirmou.
Peña visitou Caracas antes de chegar a Nova York, reabrindo o diálogo após o rompimento das relações diplomáticas em 2025 devido às disputadas eleições de 2024 na Venezuela.
A Venezuela foi suspensa do Mercosul em 2017 por não cumprir as regras do bloco, e este endureceu sua postura posteriormente, após a detenção de várias figuras da oposição sob o governo do presidente deposto Nicolás Maduro.
Embora o Brasil esteja aberto a uma reintegração gradual da Venezuela ao bloco, qualquer esforço para trazer Caracas de volta ao seio do Mercosul provavelmente teria de ser liderado pelo Paraguai, segundo uma fonte próxima ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
A fonte afirmou que o retorno da Venezuela enfrentaria obstáculos significativos, já que o país precisaria cumprir os requisitos do Mercosul relativos a regras comerciais e tarifárias.
APOIO A TAIWAN
O Paraguai é o último aliado diplomático de Taiwan na América do Sul e um dos poucos países no mundo que ainda mantêm laços formais com Taipé.
Peña aproveitou seu discurso na ONU para reafirmar o apoio do Paraguai em um momento em que Pequim intensificou a pressão militar e política sobre Taiwan, governado democraticamente, que Pequim reivindica como seu próprio território.
“Reafirmo aqui hoje meu apoio à participação plena e significativa da República da China (Taiwan) nas Nações Unidas e em suas agências especializadas. Taiwan tem contribuições concretas a oferecer para a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos”, disse Peña.
(Reportagem de Aida Pelaez-Fernandez e Lisandra Paraguassu)