Petrobras já garantiu importações de diesel de 650 mi litros em outubro

Publicado em 23/09/2026 13:33 e atualizado em 23/09/2026 14:31

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 23 Set (Reuters) - A Petrobras já garantiu as compras externas de diesel necessárias para outubro, quando sazonalmente há um pico de consumo de diesel no Brasil, enquanto não vê grandes volumes necessários de compras externas para novembro, afirmou a diretora de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano.

A afirmação vem após executivos do setor de distribuição e importação terem afirmado mais cedo neste mês que havia preocupações com restrições localizadas de oferta no país. Na ocasião, a defasagem em relação aos valores praticados pela Petrobras no Brasil havia subido para níveis recordes com uma nova escalada de preços do produto no exterior.

Também nesta quarta-feira, o presidente da Vibra Energia, Ernesto Pousada, afirmou que a maior distribuidora do país está preparada para ampliar as importações de diesel se houver necessidade, mesmo no atual cenário, em que o combustível no mercado internacional está entre R$2 e R$3 por litro mais caro que no Brasil.

A Petrobras, principal supridora de diesel no Brasil, prevê importar 650 milhões de litros de diesel no próximo mês. Por volta de outubro, o Brasil costuma passar por seu período de maior demanda de diesel, devido ao plantio da safra verão, que coincide também com o transporte do milho recém-colhido.

"As compras para outubro já estão realizadas. Em novembro ainda não sabemos se vamos ter demanda adicional, porque nós temos uma produção que atende bastante à nossa demanda", disse Laureano, após participar de uma mesa de discussões no congresso de petróleo e gás ROG.e.

"Mas não é previsto que em novembro venhamos a importar um volume grande de diesel, porque já é um momento depois da safra."

O volume que a Petrobras deve importar em outubro, contudo, representa menos da metade das importações totais do Brasil no mesmo mês do ano passado, de 1,6 bilhão de litros, segundo dados da reguladora ANP.

Ela adicionou que a refinaria da empresa no Paraná, a Repar, está parando para manutenção programada e retornará em novembro. Mas disse que as demais unidades de refino estão em operação, com fator de utilização "bastante alto".

DISTRIBUIÇÃO

Em uma outra mesa da ROG.e, Pousada destacou que em março e abril deste ano a Vibra dobrou suas importações de diesel.

Segundo ele, a Vibra tem capacidade de importação nos principais portos brasileiros e acesso a diferentes fornecedores internacionais, o que permite à companhia reagir a mudanças nos fluxos globais de diesel.

Pousada ponderou que algumas fontes que tradicionalmente abasteciam o Brasil deixaram de fornecer o produto nos últimos meses, mas que a companhia conseguiu substituir esses volumes.

"Algumas fontes sumiram no mercado. Fontes que tipicamente abasteciam o Brasil pararam de abastecer e em nenhum momento faltou diesel para os nossos clientes", afirmou.

Questionado sobre um cenário de eventuais restrições ainda maiores à oferta internacional, Pousada disse acreditar que o principal impacto para o Brasil seria sobre os preços, e não sobre a disponibilidade do produto.

O aumento das importações no início do ano também expôs gargalos na infraestrutura brasileira, segundo Pousada. Ele afirmou que, ao dobrar as compras externas em março e abril, a Vibra conseguiu receber o produto pelos portos, mas enfrentou pressão sobre sua estrutura de transporte rodoviário para levar o combustível ao interior do país.

A empresa está mais acostumada a receber volumes por dutos diretamente da Petrobras ou de outras refinarias brasileiras, disse.

"Eu tenho capacidade no porto, pusemos um estresse em caminhões. Custo, isso é improdutividade do país", afirmou, defendendo mais investimentos em ferrovias e conexões entre portos e mercados consumidores.

(Reportagem de Marta Nogueira e Fabio Teixeira; edição de Roberto Samora)

Fonte: Reuters

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