Produção industrial no Brasil frustra expectativa e volta a cair em agosto
Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier
SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 2 Out (Reuters) - A produção industrial no Brasil voltou a registrar contração em agosto após mostrar algum fôlego no mês anterior, frustrando a expectativa de ganho com o resultado mais fraco para o mês em quatro anos e dando continuidade a uma perda de tração.
Em agosto, a indústria registrou queda de 0,6% na produção em comparação com o mês anterior, marcando ainda recuo de 1,2% ante o mesmo mês de 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
O resultado mensal, o mais fraco para meses de agosto desde 2022 (-1,4%), eliminou o ganho de 0,1% registrado em julho, em dado revisado para baixo de 0,2% informado anteriormente. A queda de agosto foi a terceira no ano, depois de perdas em maio e junho.
Os resultados foram piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de altas de 0,1% no mês e de 0,4% na base anual.
A política monetária restritiva, com a taxa básica de juros Selic atualmente em 13,75%, vem afetando o desempenho da indústria brasileira, em meio a uma desaceleração da economia, ainda que o mercado de trabalho resiliente amenize o cenário.
"Claro que há uma perda de intensidade da indústria brasileira, e como pano de fundo você tem a restrição da política monetária", destacou o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo.
"Os juros altos afetam o nível de endividamento de empresas, famílias, poder de compra, e isso faz com que as companhias adiem seus investimentos", completou Macedo, destacando ainda fatores externos como o impacto da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis, adubos e fertilizantes; as tarifas dos Estados Unidos e cotas para produtos como carnes.
Em agosto, 16 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram queda na produção, sendo que as influências negativas mais importantes vieram de produtos do fumo (-23,4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%) e indústrias extrativas (-0,7%).
Entre as atividades que tiveram avanço na produção a principal influência positiva foi exercida por produtos alimentícios (1,0%).
Entre as grandes categorias econômicas, todas apresentaram perdas em agosto em relação a julho -- bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%), bens de consumo duráveis (-1,0%), bens de capital (-0,6%) e bens intermediários (-0,2%).
De acordo com Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, os dados corroboraram sua expectativa de continuidade do processo de arrefecimento da economia no terceiro trimestre do ano, com crescimento de 0,1% sobre os três meses anteriores.
"Contudo, avaliamos que os números de hoje impõem um certo viés baixista para tal projeção e contribuem para que o Banco Central possa dar continuidade ao atual ciclo de calibração, promovendo um novo ajuste na reunião de novembro", afirmou.
(Edição de Isabel Versiani)