Países do G7 concordam em liberar reservas de diesel e petróleo após pressão dos EUA

Publicado em 02/10/2026 13:25 e atualizado em 02/10/2026 14:29

 

PARIS, 2 Out (Reuters) - Os países do Grupo dos Sete chegaram a um acordo nesta sexta-feira sobre a liberação de 100 milhões de barris de diesel e petróleo das reservas de emergência, em uma medida elogiada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que busca ajuda para conter a alta dos preços dos combustíveis associada ao conflito com o Irã.

O conflito provocou, em março, a maior liberação de estoques de emergência da história, coordenada pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

"Levando em conta os compromissos já cumpridos, implementaremos nossos compromissos com uma liberação coordenada, por meio da IEA, de 100 milhões de barris", afirmou o G7 em comunicado conjunto.

O grupo informou que a medida terá início imediato e durará quatro meses, com uma liberação substancial de diesel concentrada no início, a ser realizada pelos membros e parceiros do G7 em até 20 dias.

Não foram fornecidos detalhes sobre os volumes de petróleo, diesel e outros produtos a serem liberados, nem informados quais países participariam.

"Nos reuniremos no âmbito da IEA nos próximos dias para discutir a possibilidade de liberações adicionais de diesel, conforme necessário", acrescentou o comunicado.

"A Europa acaba de concordar em liberar uma quantidade enorme de seu diesel, que está em estoque em grande volume. O processo terá início imediatamente", escreveu Trump em uma postagem no Truth Social na sexta-feira.

O presidente dos EUA busca reduzir os preços internos dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato de 3 de novembro.

O governo Trump havia dito à Alemanha e à França para reduzirem seus estoques de emergência de diesel ou enfrentarem uma possível proibição de exportação de diesel pelos EUA, informou a Reuters na quinta-feira, citando três pessoas próximas às discussões.

O comunicado do G7 afirmou que os países membros se absteriam de impor restrições à exportação de produtos energéticos entre si.

"Trata-se de uma declaração política, e não de um compromisso específico e vinculativo, com um número expressivo nas manchetes destinado a persuadir o presidente Trump a não impor uma proibição à exportação de diesel", afirmaram analistas da Energy Aspects em uma nota.

A Europa aumentou suas importações de diesel dos EUA este ano devido à interrupção no abastecimento dos produtores do Golfo, causada pela guerra no Irã.

Os governos da UE discutiram na sexta-feira uma proposta da França para que os países europeus liberassem 50 milhões de barris de diesel e para que os membros da IEA liberassem 50 milhões de barris de petróleo, segundo informaram à Reuters três fontes a par das discussões.

A liberação de 50 milhões de barris de diesel equivaleria a aproximadamente 17% do total das reservas de emergência de diesel e gasóleo da UE, segundo dados do Eurostat, ou cerca de 3% do consumo anual do bloco.

Os futuros de diesel dos EUA caíram após notícias sobre as discussões sobre a liberação de estoques, registrando queda de mais de 4%, para US$4,4491 por galão. Os futuros de referência do diesel europeu caíram mais de US$90 por tonelada métrica, segundo dados da LSEG.

A liberação em março, coordenada pela IEA, que conta com 32 membros, envolveu 400 milhões de barris de reservas estratégicas.

O diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, afirmou nesta semana que os membros haviam liberado cerca de dois terços desses volumes.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Europa avalia nova liberação de estoques de diesel após pressão dos EUA, dizem fontes
AIE propõe liberação recorde de estoques estratégicos por disparada do petróleo com guerra
Europa concordou em liberar estoques de óleo diesel, diz Trump
AIE recomendará liberação recorde de estoques estratégicos de petróleo por guerra no Oriente Médio, dizem fontes
G7 está pronto para agir diante da disparada do petróleo mas adia a utilização de reservas