Kassio Nunes Marques destaca desempenho do e-Título e faz balanço positivo do 1º turno
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou, na tarde deste domingo (4), um balanço parcial do 1º turno das Eleições Gerais de 2026. Entre os destaques, o ministro ressaltou o desempenho do e-Título, o funcionamento regular das urnas eletrônicas e as medidas adotadas pela Justiça Eleitoral para garantir o acesso de eleitoras e eleitores às seções de votação em todo o país.
Kassio Nunes Marques lembrou que a realização das eleições gerais é resultado de meses de preparação, com ações que envolveram desde a atualização e a lacração dos sistemas eleitorais até o treinamento de servidores e mesários.
O ministro também fez uma homenagem à sua antecessora na Presidência do Tribunal, ministra Cármen Lúcia, que esteve à frente da Corte durante parte da preparação do pleito. “Quando eu a sucedi, muito já havia sido feito. Teremos, com certeza, uma eleição exitosa, mas esse êxito também precisamos dividir com os servidores da Justiça Eleitoral e com a ministra Cármen Lúcia”, afirmou o presidente do TSE.
Aplicativo e-Título ajuda a reduzir filas
Segundo Kassio Nunes Marques, pela primeira vez, o e-Título está sendo utilizado no próprio dia da eleição com as funcionalidades disponibilizadas para as Eleições 2026. Até o momento do balanço, no meio da tarde, o aplicativo contabilizava mais de seis milhões de emissões, além de 15 milhões de consultas aos locais de votação e mais de três milhões de justificativas eleitorais.
Para o presidente do TSE, a possibilidade de realizar serviços pelo aplicativo tem impacto direto na redução das filas. "As pessoas não precisam ir até o local de votação ou a seção eleitoral para fazer a justificativa. Isso pode ser feito através do e-Título", destacou.
O ministro também destacou a importância do programa Seu Voto Importa. Até o momento do balanço, mais de dois mil eleitores com mobilidade reduzida haviam sido transportados aos locais de votação, além de mais de oito mil eleitores de comunidades remotas, indígenas e quilombolas, entre outras.
O programa foi criado para viabilizar transporte gratuito a pessoas com deficiência e moradores de comunidades remotas no dia da votação.
No balanço sobre os equipamentos, Kassio Nunes Marques informou que 1.121 urnas haviam sido substituídas, o equivalente a 0,2% do total. Segundo ele, não havia, naquele instante, registro de votação manual no país. Oscilações no fornecimento de energia estiveram entre as principais causas de substituição, sem ocasionar prejuízo aos votos já registrados. “Não tivemos nenhum problema significativo”, resumiu.
TSE monitorou condições climáticas
Kassio Nunes Marques também destacou a atuação da Sala Nacional de Situação Climática, criada para monitorar condições que pudessem afetar as eleições. A estrutura já havia sido anunciada pelo TSE antes do pleito para integrar informações e apoiar os tribunais regionais na prevenção e na resposta a eventos meteorológicos.
Segundo o magistrado, o Paraná concentrou as maiores dificuldades neste domingo em razão das fortes chuvas, dos ventos e de problemas no fornecimento de energia. O estado iniciou o dia com quase 140 municípios afetados e, até o início desta tarde, aproximadamente 94 ainda registravam algum problema relacionado ao abastecimento.
"Todas as urnas estão funcionando. Nós temos geradores e baterias suficientes para concluir todo o processo de votação e de transmissão", informou.
Sem indicativos de interferência estrangeira
O presidente do TSE informou que 59 pessoas haviam sido conduzidas por suspeita de crimes eleitorais, das quais 25 em situação de flagrante. As forças de segurança também haviam apreendido, até aquele momento, mais de R$ 380 mil em espécie neste domingo. Desde janeiro, de acordo com o balanço apresentado, as apreensões em dinheiro superavam R$ 30 milhões.
No enfrentamento da desinformação, foram contabilizados 453 apontamentos até as 13h. Desde 16 de agosto, o número informado pelo presidente chegou a aproximadamente 2,8 mil ocorrências.
De acordo com o magistrado, a maior parte dos conteúdos que circulavam neste domingo já havia sido identificada e mapeada anteriormente pela Justiça Eleitoral. Ele afirmou ainda que não houve registro de deepfakes envolvendo candidatos à Presidência que tivessem alcançado relevância nas redes sociais, nem de conteúdos novos e graves capazes de provocar desequilíbrio no pleito.
Questionado sobre a possibilidade de interferência internacional nas eleições, o presidente afirmou que não havia, até o momento da coletiva, indicativo concreto de atuação estrangeira. Segundo ele, as equipes do Tribunal responsáveis pelo acompanhamento do tema não haviam identificado esse tipo de interferência.
O ministro citou ainda o trabalho desenvolvido com as plataformas digitais. Segundo ele, medidas como o plano de conformidade e a adequação das empresas à legislação brasileira contribuíram para evitar problemas durante o período eleitoral.
Normalidade jurídica
Sobre uma eventual judicialização após o 1º turno, o presidente ressaltou que questionamentos judiciais fazem parte da tradição eleitoral brasileira e podem envolver, por exemplo, alegações de abuso de poder político ou econômico.
Em relação ao sistema eletrônico de votação, porém, Kassio Nunes Marques manifestou confiança na estrutura montada para o pleito e na participação de instituições públicas e da sociedade civil no acompanhamento das eleições.
"Estamos a quase três horas do final da votação e tudo tem funcionado na maior normalidade e com a maior transparência possível. Passa-se imediatamente à fase de transmissão e depois à fase de totalização. Somente após concluirmos todas essas etapas do processo eleitoral é que estaremos aqui concluindo essa missão", observou.