Ibovespa futuro desaba quase 15% na abertura após eleição de Lula
SÃO PAULO, 26 Out (Reuters) - O contrato futuro do Ibovespa com vencimento mais curto desabava nesta segunda-feira, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistar no domingo um inédito quarto mandato na Presidência da República, contrariando expectativas no mercado.
Às 09h05, o contrato com vencimento em 16 de dezembro afundava 14,84%, a 177.215 pontos, sinalizando uma abertura bastante negativa no mercado à vista de ações, que abre às 10h.
A B3 ampliou inicialmente os limites inferiores de oscilação diária para os contratos futuros Ibovespa de 10% para 15%, mas após a abertura elevou novamente o piso para 20%, em decisão que também inclui os mini contratos futuros do índice.
De acordo com agentes financeiros, o mercado havia se posicionado para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição, principalmente após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro liderar o primeiro turno, contrariando pesquisas. Investidores enxergavam uma mudança em Brasília como uma possibilidade de melhora do cenário fiscal do país.
Ativos brasileiros no exterior já mostravam uma forte correção negativa, alimentando perspectivas de acionamento de "circuit breaker" para o Ibovespa à vista. Pelo mecanismo, a negociação do índice é suspensa por 30 minutos após atingir uma queda de 10%. Reabertas as negociações, caso a perda atinja 15% ante a sessão anterior, a negociação é novamente interrompida, agora por uma hora. Na volta, se cair 20%, a B3 pode determinar a suspensão da negociação por um período por ela definido.
Na visão do analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o movimento no mercado nesta segunda-feira tende a refletir reversão de posições e aumento expressivo da percepção de risco.
"O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos."
Ele acrescentou que a possibilidade de uma proposta de emenda constitucional para ampliar o contingenciamento de recursos e buscar o cumprimento da meta fiscal poderá sinalizar a disposição do governo em responder às preocupações do mercado.
Além da agenda econômica, Mollo citou que a composição da equipe ministerial e os nomes escolhidos para as principais posições econômicas serão acompanhados de perto.
"A capacidade de diálogo com um Congresso mais inclinado à direita também será relevante para a governabilidade", pontuou.
(Por Paula Arend LaierEdição Michael Susin)