Taxas dos DIs de longo prazo sobem sob influência do noticiário político e dos Treasuries
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 28 Out (Reuters) - Após um início de sessão relativamente calmo, as taxas dos DIs de longo prazo ganharam força no fim da manhã desta quarta-feira e se firmaram em alta, na esteira da aceleração dos rendimentos dos Treasuries no exterior e do noticiário político brasileiro.
Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus desdobramentos, incluindo a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os EUA, mantiveram o mercado sensível e sujeito à volatilidade.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,385%, praticamente estável ante o ajuste de 14,381% da véspera. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,12%, com alta de 21 pontos-base ante 14,907%.
Na segunda-feira as taxas dispararam mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos, com os agentes reagindo negativamente à vitória de Lula sobre Flávio, o favorito da Faria Lima, na disputa eleitoral. Por trás do movimento está o receio de que, com Lula no Planalto, haja mais dificuldades para o equilíbrio das contas públicas.
Na terça-feira houve certo ajuste de baixa, com as taxas cedendo aproximadamente entre 30 e 40 pontos-base ao longo da curva.
Nesta quarta-feira as taxas alternaram altas e baixas mais cedo, mas no fim da manhã ganharam um impulso do avanço dos Treasuries antes da decisão sobre juros do Federal Reserve.
Operador ouvido pela Reuters afirmou que o mercado também pressionava para que o Tesouro Nacional promovesse nova operação de recompra de títulos, assim como ocorreu na segunda e na terça-feira, para segurar as taxas. No entanto, o Tesouro ficou fora dos negócios.
Ao mesmo tempo, as atenções seguiram voltadas para a fuga de Flávio para os EUA. O avião que transportava o senador e sua família chegou pela manhã em Miami.
Investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio descumpriu a ordem para entregar seus passaportes e saiu do país dois dias depois de perder a eleição para Lula.
Profissionais ouvidos pela Reuters ao longo do dia citaram a preocupação de que a fuga de Flávio possa aprofundar os atritos entre Brasil e EUA, impactando a economia brasileira -- incluindo o câmbio e as taxas de juros.
À tarde, o Federal Reserve anunciou a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 3,75% a 4,00%, como era largamente esperado, com o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) dizendo que aguardará a coleta de mais informações para decidir o rumo da política monetária dos EUA.
Os rendimentos dos Treasuries demonstraram volatilidade após a decisão do Fed e durante a entrevista coletiva do chair da instituição, Kevin Warsh, enquanto no Brasil as taxas dos DIs se mantiveram em alta.
Após a máxima de 15,310% (+40 pontos-base) às 11h41, em meio ao noticiário sobre a fuga de Flávio, a taxa do DI para janeiro de 2035 fechou a sessão regular em 15,12%, já após a decisão do Fed.
No exterior, às 16h35 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 5 pontos-base, a 5,04%.