Guerra se intensifica no Mar Negro e coloca à prova limites da Otan
Por Tom Balmforth e Luiza Ilie
LONDRES/BUCARESTE, 3 Nov (Reuters) - Após sete ataques a navios de carga nas proximidades da Romênia e da Bulgária, membros da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), no mês passado, a aliança militar liderada pelos Estados Unidos anunciou que iria mobilizar aeronaves de patrulha marítima, radares e drones para reforçar seu flanco oriental no Mar Negro.
Três dias depois, em 23 de outubro, outro navio foi atingido logo fora das águas romenas. E, na semana passada, um navio porta-contêineres grego foi afundado por drones navais na zona econômica exclusiva da Bulgária.
Os ataques incessantes mostram como a escalada da guerra marítima entre a Rússia e a Ucrânia está se expandindo para um grande desafio para a Otan no Mar Negro, deixando expostos os Estados-membros litorâneos, como a Romênia e a Bulgária.
Analistas militares afirmaram não ter dúvidas de que foram ataques russos. Um drone naval visto no vídeo do último ataque se assemelhava a uma variante russa, segundo a empresa de segurança marítima Ambrey.
“Acho que é inegavelmente uma escalada”, disse Sidharth Kaushal, pesquisador sênior do think tank RUSI, com sede em Londres.
A Rússia nega estar atacando os vizinhos da Ucrânia com drones e afirma que são os governos europeus que estão intensificando a guerra na Ucrânia ao fornecer ajuda militar. O Ministério da Defesa da Rússia não respondeu a um pedido de comentário para este artigo.
RÚSSIA ESTÁ TESTANDO LIMITES
Muitos dos navios atingidos em outubro estavam ancorados perto de um importante canal romeno usado pela Ucrânia para exportações, ou navegavam de ou para ele. Um deles estava em águas territoriais romenas, enquanto os outros oito estavam na zona econômica exclusiva da Romênia ou da Bulgária.
Iulia Joja, diretora do programa do Mar Negro do think tank Middle East Institute, com sede em Washington, disse que os ataques da Rússia levavam em conta a aversão do Ocidente à escalada.
“Trata-se de testar esses limites, com plena consciência de que faremos todo o possível para tomar as medidas mais mínimas”, disse Joja, fazendo uma comparação com as incursões de drones russos no espaço aéreo da Otan nos últimos anos.
Um representante da Otan afirmou que as ações russas destinadas a dissuadir os aliados da Otan de apoiar a Ucrânia constituem uma grave ameaça à segurança e que o compromisso da aliança de defender todos os seus membros, incluindo os do Mar Negro, é “inabalável”.
O representante afirmou que havia uma clara necessidade de recursos de combate a drones com boa relação custo-benefício, mas que a aliança já havia se comprometido a investir mais de US$40 bilhões em recursos de combate a drones nos próximos cinco anos.
(Reportagem de Tom Balmforth, em Londres, e Luiza Ilie, em Bucareste; Reportagem adicional de Pavel Polityuk, Gergely Szakacs, Gleb Stolyarov, Edward Carron e Michael Jones)