Presidente do Paraguai renuncia em meio a crescente pressão gerada por colapso de banco
Por Daniela Desantis
5 Nov (Reuters) - O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira, em meio a crescentes pedidos por sua destituição após o colapso do banco digital ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso às suas contas.
“Faço isso tendo em mente a estabilidade do nosso país, a paz social e a necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, afirmou ele em um discurso gravado nesta quinta-feira.
Peña, aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, está deixando o cargo depois que a oposição convocou uma sessão extraordinária para dar início ao processo de apresentação de um pedido de impeachment no Congresso, e enquanto manifestantes exigiam sua renúncia.
Na manhã desta quinta-feira, Peña perdeu o apoio de membros de seu próprio partido conservador. O vice-presidente Pedro Alliana deve assumir o cargo em seu lugar.
Os parlamentares acusaram Peña de conflitos de interesse, uso indevido de fundos de previdência e encobrimentos institucionais ligados ao colapso do ueno, que havia crescido rapidamente de uma empresa de fintech de nicho para um banco de médio porte administrando cerca de US$850 milhões em recursos públicos.
“Meu maior desejo é que a devolução desses recursos seja garantida, que o fundo de garantia de depósitos cumpra sua finalidade e que os recursos públicos — assim como os recursos que pertencem a todos os paraguaios — sejam protegidos”, acrescentou Peña em seu discurso.
O banco central do Paraguai interveio no ueno após determinar que o banco havia violado os requisitos mínimos de solvência, desencadeando uma crise que deixou os cerca de 3 milhões de clientes do banco — em um país com 6,5 milhões de habitantes — sem acesso às suas contas.
O ueno não se pronunciou publicamente sobre o assunto.
(Reportagem de Daniela Desantis; reportagem adicional de Natalia Siniawski e Aida Peleaz-Fernandez)