Bovespa descola de mercados mundiais e cede 0,47% no fechamento

Publicado em 24/02/2010 20:31 350 exibições

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve um dia atípico na rodada de negócios desta quarta-feira. Operadores admitiram a ausência de motivos para o mercado brasileiro descolar de sua referência externa habitual, a Bolsa de Nova York, que operou em terreno positivo durante a maior parte do pregão de hoje. A taxa de câmbio doméstica ficou praticamente estável, em R$ 1,82.

Houve uma interrupção das operações entre 14h50 e 15h50 (hora de Brasília), sem que a Bolsa estendesse o horário regular do pregão. O mercado andou um pouco mais devagar na retomada das operações, o que pode ter ajudado a manter o índice de ações em baixa. A BM&F-Bovespa informou que deve divulgar ainda hoje um comunicado oficial sobre essa interrupção.

O Ibovespa, índice que reflete os preços das ações mais negociadas, retrocedeu 0,47% no fechamento, aos 65.794 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,12 bilhões, bem abaixo da média mensal (R$ 6,66 bi/dia). Nos EUA, a Bolsa de Nova York fechou em alta de 0,89%.

"Alguns comentaram no mercado que houve alguma saída de capital estrangeiro, mas como o volume [financeiro] foi pequeno hoje é difícil apontar isso como o principal motivo. Foi um dia esquisito", comenta Fábio Prandini, profissional da corretora de valores Elite.

As Bolsas de Valores americanas e europeias valorizaram logo após o evento mais esperado pelo mercado (o discurso de Ben Bernanke no Congresso), mas o mercado brasileiro de ações, que abriu em alta, tomou o rumo inverso e se manteve assim até o final do pregão.

As ações dos setores financeiro destacaram pelas perdas, a exemplo do ativo do Itaú-Unibanco (queda de 1,11%) e a "unit" do grupo Santander, com retração de 0,88%.

O dólar comercial foi negociado por R$ 1,826, em leve queda de 0,05%. A taxa de risco-país marca 217 pontos, número 0,91% abaixo da pontuação anterior.

Entre as principais notícias do dia, o presidente do banco central dos EUA (o Federal Reserve), Ben Bernanke, reforçou que taxas de juros baixas ainda são necessárias para assegurar a recuperação da economia americana e ajudar a reduzir o impacto do alto desemprego.

E o Departamento de Comércio dos EUA indicou que as vendas de casas recuaram para o seu menor nível em cerca de meio século.

Ainda no front externo, o governo alemão revelou que o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas) ficou praticamente estagnado no último trimestre do ano passado. Em termos anuais, a economia alemão contraiu 5% em 2009, a pior recessão desde o final da Segunda Guerra Mundial.

A agência de estatísticas Eurostat informou que o volume de encomendas às industrias, entre os países da zona do euro, aumentaram 0,8% em dezembro. Nos 12 meses, o avanço registrado foi de 9,5%, num desempenho considerado surpreendente por analistas do setor financeiro.

No front doméstico, o Banco Central apontou que o volume de operações de crédito voltou a atingir a cifra recorde de R$ 1,42 trilhão em janeiro.

As contas públicas mostraram que o superavit primário atingiu 5,22% do PIB em janeiro, o equivalente a uma economia de R$ 13,9 bilhões. Este foi o segundo melhor desempenho registrado para um mês de janeiro, dentro da série histórica das contas nacionais.

A Fipe-USP calculou uma inflação de 0,85% no período da terceira quadrissemana deste mês (30 dias até 21/02) no município de São Paulo, pela leitura do IPC. Na medição anterior, a variação de preços foi mais alta: 1,09%.

Fonte:
Folha Online

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