Argentina culpa Petrobras e Shell por desabastecimento

Publicado em 11/03/2010 07:03 501 exibições

O governo argentino acusou nesta quarta-feira a Petrobras e a Shell de desabastecerem o mercado local com o objetivo de que a filial local, Repsol-YPF, aumente os preços dos combustíveis.

Os postos de gasolina argentinos registraram desabastecimentos do combustível nos últimos dias, como consequência de restrições nas vendas em meio à queda dos estoques.

O ministro de Planejamento Federal, Investimento Público e Serviços da Argentina, Julio De Vido, disse em comunicado que "as petrolíferas Petrobras e Shell relutam em refinar petróleo para desabastecer o mercado, obrigando a YPF a aumentar seus preços."

Ele acrescentou que governo fará intervenção para que as refinarias trabalhem com a capacidade máxima e disse que "chegará a embaixada do Brasil a preocupação do governo argentino com a atitude pouco ética da Petrobras."

De Vido disse que as petrolíferas estão provocando "uma campanha midiática que tende a gerar uma incerteza entre os consumidores, que diante do alerta de escassez vão aos postos, provocando mais complicações."

Diante deste panorama, explicou ele, "não existe falta de capacidade instalada [na Argentina], e sim uma decisão por parte dessas empresas de refinar menos petróleo para causar este cenário de desabastecimento."

A Secretaria de Comércio do Interior enviou inspetores aos postos de gasolina.

A YPF, que comercializa seus combustíveis na Argentina a preços levemente menores do que os da Petrobras e da Shell, disse na terça-feira que importará 50 milhões de litros de gasolina para aliviar as restrições das vendas.

Também pelo aumento da demanda por gasolina, a Petrobras no Brasil já importou este ano 1,2 milhão de litros da commodity, produto do qual normalmente é exportadora. O consumo diário de gasolina no Brasil gira em torno dos 400 mil barris.

De Vido disse que "como uma empresa com participação nacional, a YPF mantém um preço de mercado que a atitude irresponsável da Petrobras e da Shell busca alterar, o que fará com que consumidores paguem preços mais altos."

Uma fonte da YPF disse que as vendas da companhia estão subindo porque está absorvendo parte da demanda doméstica e seus concorrentes estão vendendo menos.

A Esso, uma unidade da Exxon Mobil, citada por uma reportagem local, não negou, e a Petrobras disse em comunicado que não registrou nenhum desabastecimento e suas refinarias estão operando com normalidade.

A Argentina importa diesel regularmente, mas não tem feito o mesmo com gasolina há décadas.

Os combustíveis são subsidiados pelo governo e os preços estão cerca de 15% abaixo da média internacional.

As reservas comprovadas de petróleo e gás da Argentina caíram 9% e 39%, respectivamente, entre 2001 e 2008, e as exportações estão retrocedendo.

A YPF controla mais da metade da capacidade de refino do país e cerca de 40% da produção de petróleo.

Fonte:
Reuters

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