Selic divide mercado e também o Copom

Publicado em 18/03/2010 15:18

Em dia de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), os contratos de Depósito Interfinanceiros (DI) tiveram recorde histórico de negociação. Foram 4,54 milhões de contratos negociados, sendo que cerca de 4 milhões deles no contrato de abril de 2010. Isso ilustra bem o quão dividido o mercado foi para a reunião de ontem. Divisão que também foi vista na diretoria do Banco Central. Mas não foi só o volume que chamou a atenção no pregão pré-Copom. O posicionamento dos agentes, que vinham aumentando as compras e indicando maiores apostas de alta, foi fortemente revertido ao longo da quarta-feira, e os vencimentos terminarem apontando para baixo. Agora, é esperar o ajuste da curva futura à decisão. E quem teve a visão (ou a sorte) de mudar a mão na última hora acabou se dando bem, já que o colegiado optou pela estabilidade da Selic em 8,75% ao ano. A taxa é mantida assim desde setembro de 2009.

Segundo o economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, a decisão era difícil, mas já se esperava essa manutenção com resultado dividido. Foram 5 votos pela manutenção contra 3 pela alta. "A sinalização foi muito forte. É um indício de que o processo de ajuste será iniciado em abril", diz Flávio Serrano.

O aumento seria mais surpresa do que manutenção, para o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, que trabalhava com elevação da taxa. "Como o Copom foi dividido como o mercado, isso mostra que a economia está aquecida", diz Velho, acreditando que os três votos pela alta da taxa partiram da diretoria técnica do BC.

Olhando para a curva futura, a expectativa é de algum ajuste hoje, seguido por um período de estabilidade, já que se consolida a previsão de alta de 0,5 ponto percentual na reunião do dia 28 de em abril.

No câmbio, o dólar segue na mesma. O gerente da mesa de câmbio do Banco Prosper, Jorge Kanuer, acredita que será difícil a moeda romper a banda de R$ 1,760 a R$ 1,780 de forma agressiva. Falta firmeza no cenário externo e não são feitas grandes posições de compra ou de venda. "Dentro desse cenário, não há como fazer apostas com algum grau de certeza, resume. Os agentes também discutiram ao longo do dia as emissões externas do Bradesco, Vale e Banco Espírito Santo. As operações não tiveram grande influência na formação da taxa. Mas, de acordo com Knauer, são deixam de ser boa notícia, pois mostram demanda por Brasil no mercado externo.

Como acontece toda a quarta-feira, o Banco Central mostrou o fluxo cambial parcial. Na segunda semana de março, as saídas ultrapassaram as entradas em US$ 337 milhões. Já o BC, por meio de suas compras diárias, retirou outros US$ 727 milhões de circulação. Com isso, o saldo líquido do mercado foi negativo em US$ 1,06 bilhão. Cabe ressaltar que os dados não são condizentes com o comportamento do dólar comercial no período, pois a moeda caiu 1,23%, dentro de um ambiente de fluxo negativo.

Fonte: Valor Online

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