Dólar fecha a R$ 1,80; Bovespa valoriza 0,22%

Publicado em 22/03/2010 17:08 488 exibições
A taxa de câmbio brasileira voltou a encerrar o dia na casa de R$ 1,80 pela primeira vez desde o final de fevereiro. A crise da Grécia, e suas consequencias para a zona do euro, serviram mais uma vez de motivo para uma corrida para o dólar e o enfraquecimento da moeda europeia.

Pela manhã, o dólar chegou a bater R$ 1,814 em seu valor máximo do dia. Esse nervosismo, no entanto, teve fôlego curto, e a moeda bateu a cotação mínima do dia (R$ 1,799) já perto do encerramento das operações, mesmo após outra intervenção do Banco Central.

A autoridade monetária convocou um leilão de compra às 15h40 (hora de Brasília) e aceitou ofertas por R$ 1,8001 (taxa de corte). Como sempre, não foi informado o montante adquirido.

Dessa forma, o dólar comercial foi vendido por R$ 1,800 (leve alta de 0,05%) nas últimas operações desta segunda-feira. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,920, em um avanço de 0,52%.

Ainda operando, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) sobe 0,22%, aos 68.980 pontos. O giro financeiro é de R$ 4,74 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York sobe 0,43%.

Apesar de sua importância periférica na economia da zona do euro, economistas temem que uma quebra da Grécia fatalmente afete a estabilidade financeira da região. Para evitar o pior cenário, a comunidade europeia tem discutido a criação de um mecanismo de auxílio financeiro ao país mediterrâneo sem, no entanto, chegar a um desenlace.

Hoje, representantes da comunidade europeia esfriaram as expectativas de que a reunião da União Europeia marcada para esta semana possa trazer novidades sobre o "drama grego". Hoje, Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo (que reúne os ministros das Finanças da zona do euro), afirmou que não é "imprescindível" que se encerre ainda nesta semana o debate.

Esse nervosismo foi um pouco amenizado com declarações do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, acenando com a perspectiva de uma ajuda à Grécia, desde que sob "condições estritas". Ele também reiterou considerar "absurda" a expulsão de um país-membro da zona do euro, numa clara referência à nação grega.

Índia e China

A elevação dos juros básicos pela Índia também gerou desconforto. Analistas avaliaram que a China, grande importador mundial de commodities (matérias-primas), deve dar o próximo passo nesse sentido.

Os números da economia doméstica também afetaram os negócios. Apesar da expectativa de um ingresso consistente de recursos externos para o país, a perda de dinâmica da balança comercial tem preocupado.

O Ministério do Desenvolvimento registrou um superavit comercial de US$ 534 milhões no mês de março até a terceira semana. No mesmo período de 2009, o saldo positivo foi de US$ 1,756 bilhão. No acumulado deste ano, enquanto as exportações cresceram pouco mais de 25%, o volume importado aumentou cerca de 33%.

E o BC ainda elevou de US$ 40 bilhões para US$ 49 bilhões sua projeção para o deficit das contas externas, além de rebaixar a estimativa para o superavit comercial (de US$ 15 bilhões para US$ 10 bilhões).

"Esse ano vai ser de volatilidade. Se por um lado tem a gente vê vai ter uma forte entrada de investimentos, que o 'dinheiro de fora' não vai ser problema, de outro nós já estamos vendo um desequilíbrio nas contas, as importações crescendo mais rápido que as exportações. E isso preocupa", comenta Ideaki Iha, da mesa de operações da corretora Fair.

"E a Europa? Na verdade, o problema não é tanto a Grécia, é o euro que está sendo testado. E os Estados Unidos, como vai ficar a economia depois que retirar os estímulos? Tudo isso preocupa", acrescenta.

Fonte:
Folha Online

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