Em sexto dia de ganhos, Bovespa fecha no maior nível em 23 meses

Publicado em 05/04/2010 18:11 359 exibições

Os mercados mundiais, sem exceção da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), repercutiram hoje uma sequência de bons números da economia americana, o que estimulou o apetite por risco dos investidores. A Bolsa brasileira emendou o seu sexto dia consecutivo com valorização das ações, batendo o seu nível de preços mais alto desde 2 de junho de 2008, data anterior à pior fase da crise mundial. E nesse patamar, a Bolsa brasileira se encontra a um salto de apenas 3,1% de seu patamar recorde.

O Ibovespa, principal termômetro dos negócios da Bolsa paulista, subiu 0,22% no fechamento, aos 71.289 pontos. O nível histórico desse índice é de 73.516 pontos, registrado em 20 de maio de 2008, pouco depois do país ter sido alçado ao nível de "grau de investimento". O giro financeiro foi de R$ 5,27 bilhões.

Nos EUA, a Bolsa de Nova York fechou em alta de 0,43%. Hoje, as Bolsas europeias não operaram.

O dólar comercial foi cotado por R$ 1,763, em um declínio de 0,33%. A taxa de risco-país marca 171 pontos, número 6,55% abaixo da pontuação anterior.

A Bolsa de Valores teve uma recuperação importante no mês de março, valorizando quase 6% no período, a reboque dos acordos da comunidade europeia e do FMI para ajudar a Grécia. Analistas também mencionam os reajustes do minério de ferro, que têm forte influência tanto nos mercados europeus quanto na Bovespa.

Nesse cenário, a Bolsa tem chances importantes de, pelo menos, voltar ao nível histórico dos 73 mil pontos, ainda no curto prazo. Para o final do ano, gestores de investimentos projetam o Ibovespa entre 80 mil e 81 mil pontos, pensando nas projeções de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), na casa dos 5% ou até mais.

Analistas, no entanto, observam que a Bolsa ainda deve passar por um período de muita volatilidade.

"Eu tenho dúvidas muito fortes em relação ao crescimento do emprego nos EUA. Quer dizer, o dado da semana passada foi bom, mas nós ainda temos mais de 8 milhões de pessoas que precisam recuperar o trabalho, somente para voltar aos níveis de 2008", avalia o superintendente da Banif Corretora, Raffi Dokuzian.

Dokuzian também nota que a situação na Europa, embora um pouco mais tranquila, não deixa de preocupar o mercado. Os países em situação mais problemática ainda precisam mostrar alguma melhora na situação das contas públicas, uma exigência das demais nações para a ajuda. "O fato do país traçar um plano de redução do deficit fiscal não significa que vai conseguir cumprir esse plano", ressalta.

O analista da corretora Geral, David Brusque, nota que há muita gente no mercado "vendida", isto é, que está apostando na baixa da Bolsa de Valores. "No curto prazo, nós temos o vencimento das dívidas de alguns países em situação mais delicada, como o Dubai, e muita gente pode aproveitar esse motivo para realizar lucros [vender]. Além disso, algumas ações já subiram bastante, como os papéis da Vale, das siderúrgicas e mesmo dos bancos", comenta.

EUA

Entre as principais notícias do dia, duas pesquisas privadas americanas surpreenderam o mercado positivamente. O índice do instituto ISM apontou a maior expansão do setor de serviços desde 2007 nos EUA. E a NAR (associação de corretores) contabilizou um crescimento de 8,2% nas vendas pendentes de imóveis no mês de fevereiro.

O mercado também repercute as cifras divulgadas na sexta (quando não houve pregão) pelo Departamento de Trabalho dos EUA. O órgão anunciou a abertura de 162 mil vagas (já descontadas as demissões) para o mês de março, o maior número em três anos. A taxa de desemprego permaneceu em 9,7%. Apesar do número ficar abaixo das projeções (entre 180 mil e 190 mil), economistas comemoram a revisão das cifras para janeiro e fevereiro, que apontaram perda menor e até mesmo criação de postos de trabalho.

No front doméstico, o boletim Focus, elaborado pelo BC, mostrou que os economistas revisaram suas projeções para a inflação deste ano, de 5,16% para 5,18% (mediana das estimativas do IPCA). Trata-se da 11ª semana em que a expectativa para a inflação do ano sobe.

A Fipe-USP apontou inflação de 0,34% em março, ante 0,74% em fevereiro, no município de São Paulo, pela leitura do IPC (Índice de Preços ao Consumidor). Já o índice de inflação semanal da FGV, o IPC-S, detectou uma variação de preços de 0,86% no mês de março, ante elevação de 0,68% em fevereiro.

Fonte:
Folha Online

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