Abril Vermelho: MST começa manifesto começa com 20 invasões

Publicado em 13/04/2010 10:46 1348 exibições
Dentro das atividades do "abril vermelho", entidade dos trabalhadores sem terra tenta chamar a atenção para deficiências em assentamentos.

Na quinta-feira, Comissão Pastoral da Terra lança relatório "Conflitos no Campo do Brasil"
Quinze propriedades - entre engenhos de cana-de-açúcar e fazendas de gado - foram invadidas por integrantes do MST nas últimas 48 horas em Pernambuco. Já são quatro a mais do que o total registrado em todo o Abril Vermelho do ano passado, quando ocorreram onze ocupações no estado, durante a chamada Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária. A mobilização é tradicionalmente deflagrada este mês, como forma de assinalar a memória dos 19 lavradores que morreram em conflito com a Polícia Militar no Pará em abril de 1996, no chamado Massacre de Eldorado dos Carajás.


As ocupações mobilizaram 2.080 famílias. Ao todo, foram 15 ocupações em Pernambuco, três na Paraíba e duas em Alagoas. Nas 20 invasões, não houve conflito entre sem-terra e polícia. Durante esta semana, segundo a direção nacional do MST, novas ações serão deflagradas em vários estados, intensificando-se até sábado, Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.


Este ano, o lema da jornada é "Lutar não é crime", em referência ao "processo orquestrado por vários setores conser vadores da sociedade" que, segundo os sem-terra, tentam "criminalizar" os movimentos sociais.

Na quinta-feira, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançará em São Paulo, em evento fora do "Abril Vermelho", a 25aedição do relatório "Conflitos no Campo do Brasil", publicação anual que reúne dados sobre conflitos, violências sofridas e ações dos trabalhadores rurais em todo o país. O relatório será apresentado pelo presidente da CPT, dom Ladislau Biernaski, e pelo bispo Enemésio Lazzares.


- Quando essa publicação completa 25 anos, a CPT entende ser momento de refletir sobre esses dados e o que representam no cenário rural brasileiro. O fato de esse relatório ainda ser necessário para denúncia prova que o momento não é de comemoração.


Mostra, sim, os poucos avanços na defesa dos direitos humanos no Brasil e na realização da reforma agrária. Este será um momento de reflexão - disse dom Ladislau.


MST ocupa fazendas e prefeituras
Em dois dias da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou quase 20 ocupações, principalmente em Pernambuco, São Paulo e Mato Grosso do Sul. No estado nordestino, sete propriedades foram ocupadas na manhã de ontem e se somaram a outras oito tomadas no domingo. Mais de 2 mil famílias participaram das ações. Segundo informações de lideranças do MST, as ocupações continuam até o fim da semana.


Em Glória do Goitá, a 46km do Recife, representantes das famílias que vivem no assentamento Canavieira ocuparam a prefeitura da cidade. Eles ficaram no local por cerca de três horas e reivindicavam a retirada de um aterro sanitário do município da propriedade em que moram. Segundo informações do MST, as mobilizações ocorreram de maneira pacífica. Não houve confronto com a polícia e até o fechamento desta edição também não havia determinação judicial para que os Sem-Terra desocupassem nenhum dos 15 engenhos.


No Sertão houve quatro ocupações. Em Ibimirim 130 famílias ocuparam a Fazenda Passarinho. No município de Belém do São Francisco, 110 famílias ocuparam a Fazenda Cacimba Nova e Cacimba do Meio. Outras 150 famílias ocuparam a Fazenda Aipueira. No município de Itacuruba a Fazenda Jatinã foi ocupada por 150 famílias. E no Agreste, a Fazenda Taquari, que fica no município de Passira, foi reocupada por cerca de 80 famílias.

Suspense
O lider do MST em Pernambuco, Jaime Amorim, comentou as ações da jornada. "As ocupações vão ocorrer durante toda a semana. Vamos continuar agindo, principalmente nas regiões mais conflituosas. E vamos fazer outros atos como o de Glória do Goitá", contou. Amorim não quis adiantar as ocupações(1) de hoje, mas afirmou que no próximo sábado o foco sai do campo e chega à capital pernambucana. "Sábado vamos colocar um acampamento no Recife. Ainda não definimos o local, mas vamos ficar por tempo indeterminado, até que haja uma rodada de negociações com o governo e o Incra", prometeu.


Segundo ele, o movimento é bastante forte no estado e junto com Bahia e Sergipe possui o maior número de acampamentos. "Mas são também os estados com os maiores número de conflitos. Já São Paulo e Pará são os estados em que a violência contra o MST é mais exposta", declarou. Sobre a evolução da violência no campo desde o episódio de Eldorado dos Carajás, o líder do MST disse ainda que houve uma pequena evolução. "No ano passado muita gente foi presa em Pernambuco, também houve mortes. O latifúndio continua violento", afirmou.


1 - Estrada bloqueada
Moradores de um acampamento do MST às margens da BR-163, em Naviraí (MS), fecharam ontem um trecho da rodovia. No local vivem 600 famílias aguardando a desapropriação da Fazenda Mestiço, no extremo sul do Estado. Eles querem a instalação de redutor de velocidade em frente às barracas de lona plástica, onde este ano aconteceram 30 atropelamentos de crianças e adultos. O protesto ocorreu durante visita do governador André Puccineli (PMDB) à cidade para inaugurar obras. A BR-163 é o principal corredor de caminhões com cargas entre o MS e o PR.


"As ocupações vão ocorrer durante toda a semana. Vamos continuar agindo, principalmente nas regiões mais conflituosas", disse Jaime Amorim, líder do MST em Pernambuco.

O número: 20.  Quantidade de áreas que dependem de decisões da Justiça em Bauru, no interior paulista

Incra sitiado
Em São Paulo, cerca de 150 integrantes do MST invadiram o escritório regional do Incra em Bauru, a 345km de São Paulo. Os funcionários que chegavam para trabalhar não puderam entrar no prédio e o órgão não funcionou. O grupo, proveniente de um assentamento de Piratininga, cidade da região, reivindica melhoria na infraestrutura do local. A ação foi reforçada por integrantes da Federação dos Agricultores Familiares do Estado de São Paulo (Fafesp), provenientes do assentamento Aymorés, do município de Pederneiras.


De acordo com a coordenadora regional do MST, Maria Judith, os dois assentamentos estão sem água e têm acesso precário. No Piratininga, instalado em 2003, as casas e o galpão para comercialização de produtos nem foram concluídos. "O Incra trata os assentados com descaso", disse. No fim da tarde, os assentados decidiram montar um acampamento ao redor da sede para passar a noite.


Justiça
O coordenador nacional do MST, Gilmar Mauro, disse que as ações da jornada nacional de lutas do movimento, conhecida como abril vermelho, serão intensificadas. Ele não descartou as ocupações de fazendas e de prédios públicos. "Vamos fazer ações localizadas para chamar a atenção para problemas que vão da falta de escolas para os assentados à demora da justiça em decidir sobre as terras públicas que foram griladas."


Segundo ele, apenas na região de Bauru, pelo menos 20 áreas dependem de decisões da Justiça e de outros órgãos públicos para serem destinadas a assentamentos. A reportagem entrou em contato com a assessoria do superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo Pires da Silva, mas não obteve retorno.

Com informações de O Globo e do Correio Braziliense

Fonte:
Redação N.A.

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