Bovespa fecha em queda de 0,72%, descolada de cena externa

Publicado em 15/04/2010 17:52 427 exibições

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) descolou da cena externa na rodada de negócios desta quinta-feira, dia em que as Bolsas americanas e europeias tiveram uma valorização moderada. A agenda econômica foi cheia para o investidor: dados econômicos da China (divulgados ontem à noite) e indicadores dos EUA pediram a atenção dos agentes de mercado. Mas a Bolsa brasileira também sofreu influência de fatores técnicos (vencimento de opções).

O Ibovespa, principal termômetro dos negócios da Bolsa paulista, retraiu 0,72% no fechamento, aos 70.524 pontos. O giro financeiro foi de R$ 8,58 bilhões, bem acima da média do mês (R$ 6,65 bilhões/dia). Nos EUA, a Bolsa de Nova York fechou em alta de 0,19%.

O dólar comercial foi vendido por R$ 1,752, em alta de 0,17%. A taxa de risco-país marca 166 pontos, número 6,74% abaixo da pontuação anterior. O dia também foi movimentado para o segmento de câmbio: o Tesouro Nacional anunciou uma nova captação externa, e as taxas oscilarama na faixa de R$ 1,73 (mínima do ano). O Banco Central, numa intervenção rara, promoveu dois leilões de compra de moeda.

"Na primeira vez [que entrou no mercado], tudo bem, não teve novidades. Agora foi somente na segunda vez que ele entrou, que o mercado reagiu", comenta Marcos Trabold, da mesa de operações da corretora B&T.

Já a Bolsa de Valores teve o seu segundo dia de forte volume financeiro, quase batendo a casa dos R$ 9 bilhões. O giro ficou fortemente concentrado nos papéis preferidos pelos investidores: a ação preferencial da Vale (R$ 2,059 bilhões) e a ação preferencial da Petrobras (R$ 1,45 bilhão). Enquanto o primeiro papel valorizou 0,56%, o segund teve queda de 1,89%.

Na próxima segunda-feira, há o vencimento dos contratos de opções sobre ações (contratos que negociam direitos de compra ou de venda de um ativo, mediante o pagamento de um prêmio). Na semana que antecede a liquidação desses contratos, lembram profissionais de mercado, o mercado sempre tem uma volatilidade atípica, já que interessa aos detentores dessas opções influenciar os preços das ações, conforme interesse a alta ou a baixa.

Não por acaso, as opções mais movimentadas são os contratos para compra ou venda de ações da Vale e da Petrobras.

Antonio Cesar Amarante, profissional da corretora Senso, nota que outros fatores também concorrem para explicar o descompasso da Bolsa brasileira em relação à Bolsa americana, algo que já vem sendo notado há alguns dias. Primeiro, o Ibovespa já subiu mais que o Dow Jones neste ano, depois de um 2009 "gordo" (quando subiu mais de 80%); segundo, o mercado pode estar antecipando o aperto monetário (alta dos juros) na reunião do Copom no final deste mês.

"Nós ainda temos muita 'gordura' para queimar", afirma o gestor, lembrando que a ação da Vale, segundo papel mais importante da Bolsa, já subiu 21,3% neste ano, enquanto a Bovespa, 2,82% (considerando as cotações do fechamento de hoje).

EUA e inflação

Entre as principais notícias do dia, o Departamento de Trabalho dos EUA reportou um aumento na demanda pelos benefícios do auxílio-desemprego pela segunda semana consecutiva. O número de pedidos iniciais teve um aumento de 24 mil solicitações, quando o mercado esperava uma queda em torno de 20 mil unidades. E o Federal Reserve (banco central) comunicou que a produção industrial teve crescimento de 0,1% em março, mas analistas contavam com uma variação de 0,7%.

Analistas destacaram ainda o índice regional Empire State, que apontou um crescimento acima do esperado para o setor manufatureiro na região de Nova York para o mês de abril.

No front doméstico, a FGV apontou inflação de 0,63% em abril, ante variação de 1,10% em março, pela leitura do IGP-10. E o Ministério do Trabalho informou que a geração de empregos com carteira assinada foi recorde no primeiro trimestre deste ano (657.259 novas vagas).

Ontem à noite, o governo chinês revelou que o PIB (Produto Interno Bruto) teve um crescimento de 11,9% no primeiro trimestre, acima das projeções do mercado financeiro (consenso em 11,7%); ainda no primeiro trimestre, a produção industrial teve aumento de 19,6%, quando economistas do setor financeiro esperavam uma cifra de 18,2%; a inflação do período foi de 2,4% em março. Analistas de bancos esperavam uma variação de 2,6%. Os números mais robustos que o esperado despertou temores de que Pequim volte a adotar medidas restritivas à economia, para conter eventuais "bolhas" nos preços de ativos.

Fonte:
Folha Online

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