Mercado eleva projeção para o IPCA pela 13ª vez seguida

Publicado em 19/04/2010 10:53 e atualizado em 19/04/2010 13:34 1207 exibições
Para analistas consultados pelo Banco Central, inflação ao consumidor deve fechar 2010 em 5,32% e juro pode alcançar 11,50% ao ano.
Analistas elevaram pela décima terceira semana consecutiva as suas projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2010, cuja mediana subiu de 5,29% para 5,32%. A estimativa consta da pesquisa Focus divulgada há pouco pelo Banco Central, que mostrava há um mês previsão de alta de 5,10% para o IPCA este ano.

No grupo dos analistas que mais acertam as previsões na pesquisa Focus, o chamado Top 5, a expectativa de alta do IPCA 2010 subiu de 5,17% para 5,49%. Para 2011, foi mantida a projeção de 4,70%. Há um mês, o grupo previa elevação de, respectivamente, 5,04% e 4,60%.Para 2011, a expectativa do mercado financeiro não foi alterada e prevaleceu a previsão de alta de 4,80% para o índice oficial de inflação ante estimativa de 4,70%, observada há quatro semanas. A previsão para os dois anos continua acima do centro da meta de inflação, que é de 4,50% para 2010 e 2011.

Entre todos os analistas ouvidos, a mediana das projeções para o IPCA em abril de 2010 subiu de 0,43% para 0,46% ante 0,39% de quatro pesquisas anteriores. Para maio, a expectativa avançou de 0,35% para 0,37%, contra 0,34% de um mês atrás.

A média das previsões para o IPCA subiu para os anos de 2010, 2011 e 2012. Para este ano, a média das expectativas avançou de 5,27% para 5,34%. Para 2011, o número avançou de 4,82% para 4,86%. Para 2012, a tendência foi idêntica e a média das projeções subiu de 4,50% para 4,51%. Com essa alta, a previsão média para 2012 também fica acima do centro da meta de inflação, de 4,50%, pela primeira vez na série.

Juro

Com o aumento da perspectiva para a inflação, houve também alteração na projeção para o juro. O mercado financeiro prevê que o ciclo de aperto monetário que deve começar neste mês será mais longo que o estimado até a semana passada. Para os analistas, o aumento dos juros levará a Selic para 11,50% ao fim de 2010, contra previsão de 11,25% observada na pesquisa anterior. Com a mudança, o mercado passa a esperar aumento do juro até dezembro, e não até outubro como apontado na semana passada.

Para a reunião que acontece no fim deste mês, nos dias 27 e 28, analistas mantiveram a aposta de que a taxa Selic aumentará 0,50 ponto porcentual e, assim, atingirá 9,25% ao término do encontro do Comitê de Política Monetária (Copom). Nas reuniões seguintes, o mercado prevê que a tendência de alta dos juros básicos será ainda mais forte, com duas elevações seguidas de 0,75 ponto porcentual. Para junho, analistas estimam alta de 0,75 ponto - exatamente como na semana passada, o que levaria a Selic para 10%. Em julho, haveria nova alta de 0,75 ponto - ante expectativa de 0,50 ponto na semana passada, para 10,75%. Depois, são esperados aumentos menores, de 0,25 ponto nos meses de setembro - para 11%; outubro - para 11,25%; e dezembro - para 11,50%. Até a semana passada, a expectativa era de alta de 0,50 ponto em setembro e 0,25 ponto em outubro, com manutenção da Selic em dezembro.

Para o fim de 2011, analistas mantiveram a estimativa para o patamar da taxa básica e a mediana seguiu em 11,25%, o que indica expectativa de início de um ciclo de redução do juro no ano que vem. Há quatro semanas, a previsão era de que a Selic cairia para 11,10% ao final do próximo ano.

Na pesquisa, foi mantida a estimativa para a Selic média no decorrer de 2010 em 10,16%. Para 2011, a estimativa de juro médio permaneceu em 11,25%. Há um mês, essas previsões eram respectivamente, de 10,08% e 11,20%.

PIB

Apesar do aumento da inflação e do juro que o País pode ter neste ano, o mercado financeiro não para de aumentar suas estimativas para o crescimento da economia brasileira. De acordo com a pesquisa Focus, a mediana das previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano avançou de 5,60% para 5,81%. Há quatro semanas, essa expectativa era de crescimento de 5,50%. Para 2011, foi mantida a projeção de que a economia deve ter expansão de 4,50%, número repetido há 19 semanas.

Na avaliação do mercado, o crescimento da economia em 2010 será liderado pela atividade industrial, cuja aposta de expansão neste ano foi elevada de 9,31% para 9,41%, superior à estimativa de 8,79% observada há quatro semanas. Para 2011, o mercado manteve a previsão de avanço de 5% pela sétima vez seguida.

Na mesma pesquisa, analistas reduziram a estimativa para o nível da dívida líquida do setor público em relação ao PIB neste ano de 41,35% para 41,20%. Um mês antes, a previsão estava em 41,50%. Para 2011, a estimativa oscilou de 39,65% para 39,60%, ante 39,60% de quatro semanas antes.

A pesquisa trouxe poucas alterações nas previsões do mercado para as contas externas. As instituições financeiras mantiveram a previsão para o déficit da conta de transações correntes do balanço de pagamentos em 2010 e em 2011. De acordo com levantamento, a mediana das estimativas para o saldo negativo em conta corrente neste ano seguiu em US$ 50 bilhões pela quarta vez consecutiva. Para 2011, a previsão de resultado negativo das contas externas permaneceu em US$ 60 bilhões pela sexta semana seguida.

No comércio exterior, a estimativa para o superávit da balança comercial em 2010 foi mantida em US$ 10 bilhões pela 12ª semana consecutiva. Para o próximo ano, a previsão de superávit foi ajustada de US$ 3,54 bilhões para US$ 3,99 bilhões, de US$ 2,50 bilhões um mês atrás.

Já a mediana das expectativas para a entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED) cresceu ligeiramente, de US$ 38 bilhões para US$ 39 bilhões em 2010. Para o ano seguinte, a estimativa permaneceu em US$ 40 bilhões. Há um mês, analistas esperavam, respectivamente, ingresso de US$ 38 bilhões e US$ 40 bilhões em cada um dos dois anos.

IGP-DI e IPC-Fipe

A pesquisa Focus mostrou também que a projeção para o IPC da Fipe em 2010 subiu de 5,39% para 5,45%. Apesar da alta, o número esperado ainda é menor que o previsto há quatro semanas, quando estava em 5,49%. Para 2011, a projeção segue em 4,50% pela décima terceira semana seguida.

O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para o IGP-DI. A mediana das previsões para o indicador em 2010 avançou de 7,11% para 7,33%. Há quatro semanas, a expectativa era de 6,74%. Para o IGP-M, a trajetória de alta permaneceu e a estimativa dos analistas saltou de 7,69% para 7,99%, ante 6,50% de um mês atrás.

Para 2011, a estimativa do IGP-DI cresceu de 4,70% para 4,81%, ante 4,50% de quatro semanas antes. Para o IGP-M, a projeção para o ano que vem permaneceu em 4,80%, contra 4,52% de um mês atrás.

No mesmo levantamento, analistas reduziram a expectativa de aumento do conjunto dos preços administrados - as tarifas públicas - em 2010 de 3,70% para 3,60%, ante 3,67% de quatro pesquisas antes. Para 2011, a previsão manteve-se em 4,50% pela nona semana seguida.

Dólar

A pesquisa Focus trouxe poucas alterações nas previsões do mercado financeiro para o comportamento do dólar. De acordo com o levantamento, a mediana das previsões para a cotação da moeda norte-americana em relação ao real no fim de 2010 permaneceu em R$ 1,80. Já para 2011, a previsão de câmbio no fim do ano caiu de R$ 1,90 para R$ 1,85.

A mediana das previsões para a taxa média de câmbio no decorrer deste ano foi ajustada de R$ 1,82 para R$ 1,81. Para 2011, a estimativa de dólar médio permaneceu em R$ 1,85.

Fonte:
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