Temores de ampliação da crise grega abalam mercados nesta quinta-feira
As bolsas de valores mundiais sofrem fortes abalos na tarde desta quinta-feira (6), enquanto os temores de que a crise da dívida grega se espalhe por outros países europeus e ameace a estabilidade do euro.<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />
Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Ibovespa chegou a despencar mais de 6% no meio da tarde, antes de iniciar um ciclo de recuperação, com os investidores aproveitando os baixos preços das ações para entrar na ponta compradora. Às 16h09, a queda se reduzia para 2,04%.
Movimento semelhante é visto na Bolsa de Nova York – o principal indicador local, o Dow Jones, chegou a tombar mais de 8%. Por volta das 16h, no entanto, as perdas eram de 3,16%.
No mercado de câmbio, o dólar chegou a disparar 5,22% e se aproximou da cotação de R$ 1,90. No fim dos negócios, perdeu um pouco da força: a moeda encerrou o dia vendida a R$ 1,851, com ganho de 2,94% sobre a cotação de fechamento da véspera.
O mau humor tomou conta dos mercados depois de o parlamento grego aprovar um plano para reduzir seu déficit fiscal nos próximos anos. A aprovação do programa era um requisito para a liberação da ajuda à Grécia por parte de países da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Reação dos mercados
O economista Carlos Daniel Coradi, da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores, afirmou que o mercado brasileiro se comportou dessa forma em razão da crise grega. "Isso é uma cadeia porque às 8h o mercado japonês fechou e a situação veio para cá." Segundo o economista, o mercado financeiro funciona com "80% de psicologia e 20% de técnica".
Coradi afirma que a Bovespa chegou a cair 6% e o dólar subiu tanto por causa dos reflexos na Grécia, mas que, com a queda expressiva, muitos venderam ações e iniciou-se o movimento de compra. "O inexperiente fica nervoso e vende. O profissional, na crise, espera e compra", afirma.
"O mercado se comportou como em um prenúncio de crise", afirmou Hamilton Moreira, analista do BB Investimentos.
O temor de que a crise da Grécia atinja também outros países europeus fez com que o euro se desvalorizasse nesta quinta. Ao mesmo tempo, em momentos de crise os investidores costumam procurar os investimentos considerados mais seguros - como os papéis do Tesouro dos EUA, cujo preço disparou nesta quinta.
Isso faz com que as bolsas, por representarem investimentos mais arriscados, caiam, ao mesmo tempo em que o dólar se valoriza devido à procura por títulos norte-americanos.
Recuperação global
"O mercado agora está percebendo que a Grécia vai passar por uma depressão importante nos próximos anos", disse Peter Boobkvar, da corretora norte-americana Miller Tabak. "A Europa é um importante parceiro comercial dos EUA e isso ameaça todo o crescimento global."
Os mercados têm passado por momentos de ansiedade nos últimos meses devido à situação da Europa, que se intensificaram na última semana apesar de a Grécia ter chegado mais perto de obter ajuda financeira.
O temor agora é de que outros países da Europa também terão problemas com suas dívidas e que a recuperação global, que ainda está nos estágios iniciais, perca fôlego.
0 comentário
Wall Street avança com alta de apostas em corte de 0,50 p.p. nos juros do Fed
Ibovespa fecha em alta com investidor à espera de decisões de BCs; Azul dispara
Dólar cai abaixo dos R$5,60 com expectativa de corte maior de juros nos EUA
Ações europeias encerram semana em alta e foco do mercado muda para Fed
China pune PwC com 6 meses de banimento e multa recorde por auditoria na Evergrande
Lula chama de "imbecis" defensores de privatização da Petrobras e diz que Lava Jato tentou desmoralizar estatal