Dilma esquiva-se de compromisso com índice de produtividade

Publicado em 14/07/2010 07:44 362 exibições
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, prometeu ontem dobrar o número de agricultores incluídos no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). Em evento marcado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) para declarar apoio político à sua candidatura, Dilma afirmou que pretende incluir mais dois milhões de agricultores no Pronaf (hoje são 2 milhões de contratos, assinados em 14 anos, base sobre a qual é possível expandir). Disse também que vai aumentar - sem quantificar valores - a linha de financiamento para a compra de máquinas agrícolas, como colheitadeiras e tratores.

Mas Dilma calou-se diante da principal reivindicação dos trabalhadores filiados à Contag: a implantação do índice de produtividade. O índice é o principal instrumento técnico para rever os critérios de reforma agrária adotados no país. O silêncio da petista tem uma explicação: apesar de incentivar os pequenos agricultores e até posar para fotos com um boné da Contag, ela não quer comprar uma briga desnecessária com o agronegócio - contrário ao índice - em pleno processo eleitoral. "Campanha eleitoral é a arte de agradar o máximo de pessoas possível", disse um auxiliar de Dilma

A candidata do PT poupou os grandes produtores rurais, mas não evitou os ataques ao seu adversário na eleição presidencial e ao MST. Sobre José Serra, afirmou que ele quer acabar com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Mesmo sem citar quando o candidato do PSDB disse isso, Dilma classificou a proposta de absurda. "O nosso governo mostrou que uma política voltada para os pequenos produtores pode fazer com que nossa agricultura familiar se transforme em uma potência", declarou a petista.

Em relação ao MST - movimento social em relação ao qual o governo Lula distanciou-se nos últimos anos - Dilma considerou um erro dividir o país simplesmente entre "sem terra e com terra"". Em sua opinião, o país é bem mais complexo, com quilombolas, índios, pescadores e, também, pessoas sem terra para produzir. "Nós vamos fazer a reforma agrária não porque o MST quer, mas porque nós achamos que ela é importante e é bom para o Brasil", afirmou Dilma.

Para ela, fazer a reforma agrária não é simplesmente assentar as famílias, embora, pelos seus cálculos, o governo fez nos últimos sete anos e meio quase 60% do que tinha sido feito historicamente no país. Segundo a ex-chefe da Casa Civil, foram assentadas até 2003 um milhão de famílias. Do início do mandato de Lula até o momento, o número total de famílias assentadas é de 592 mil. "Mas não adianta apenas dar terras, sem ofertar crédito e assistência técnica adequada para os agricultores produzirem mais e melhor", disse a candidata petista.

Em São Paulo, disposto a tranquilizar uma plateia de empresários, o candidato do PT ao governo, senador Aloizio Mercadante, criticou o Movimento Social dos Sem Terra (MST) ao lembrar a invasão e a destruição de uma fazenda do grupo Cutrale, no interior paulista, no ano passado.

Mercadante, que participou de um almoço na Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, classificou a atitude do MST como inaceitável. Apesar disso, frisou que um eventual governo do PT em São Paulo estará aberto ao diálogo. As declarações do petista foram dadas depois de um empresário questioná-lo como ele pretendia lidar com o MST, que tem afinidades históricas com o PT.

Segundo o senador, os conflitos agrários teriam diminuído com a ampliação de beneficiários do Bolsa-Família e os programas de apoio à agricultura familiar durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "As invasões do passado são fruto da falta de oportunidades e alternativas", disse Mercadante numa referência à gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"De qualquer maneira, não vamos permitir que o Estado Democrático de Direito seja desrespeitado", acrescentou. Durante sua exposição, o senador também distribuiu elogios ao agronegócio ao lembrar que o Brasil é o segundo maior exportador agrícola do mundo. Em seguida, comentou as perspectivas do país com os recursos oriundos do pré-sal.

Fonte:
Valor Econômico

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