Entrevista de Serra no JN tem Ibope de 32 pontos

Publicado em 12/08/2010 08:16 e atualizado em 12/08/2010 11:15 637 exibições

A edição do Jornal Nacional de hoje, com a entrevista do candidato José Serra (PSDB), obteve 32 pontos de audiência, segundo dados preliminares aferidos pelo Ibope na Grande São Paulo em tempo real. No horário, o porcentual de televisores sintonizados na Globo dentro do universo de aparelhos ligados, foi 48%. Cada ponto de audiência na região corresponde a 56 mil domicílios. 

A prévia de audiência da edição do Jornal Nacional na segunda-feira, quando Dilma Rousseff (PT) foi entrevistada, foi de 33 pontos e 50% dos televisores da Grande São Paulo estavam ligados na Globo. Ontem (terça), a audiência média do Jornal Nacional na entrevista de Marina Silva (PV), na prévia, foi de 30 pontos, e o porcentual de aparelhos ligados na Globo foi de 48%. 

Cobertura de Veja e Estadão da entrevista de Serra

A experiência das campanhas anteriores e o traquejo de vida pública fizeram diferença a favor do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, na hora de enfrentar a dupla de apresentadores do Jornal Nacional, na noite desta quarta-feira. Visivelmente mais calmo que Dilma Rousseff e Marina Silva  – as duas passaram pela bancada na segunda e na terça, respectivamente – Serra conseguiu ser mais conciso nas respostas e, com isso, teve a oportunidade de responder a um número maior de perguntas: foram 10 no total. Evitou travar confronto direto com os entrevistadores, ou lançar críticas aos adversários, passando uma imagem de sobriedade.

Logo na primeira, William Bonner quis saber porque ele evitava criticar o presidente Lula. O candidato aproveitou a chance para reforçar a estratégia de campanha. “Olha, o Lula não é candidato à presidente, não tenho porque criticá-lo”, afirmou, antes de engatar  o discurso de que o eleitor deve pensar no futuro, olhar o que precisa ser feito no Brasil e avaliar quem tem mais condições de assumir a tarefa. “O governo do presidente Lula teve momentos bons e teve também problemas, mas ele acaba no dia 1º de janeiro e não adianta ficarmos falando do passado. O importante é pensarmos no futuro.”

Alianças e vice – Assim como havia acontecido com Dilma, o apresentador William Bonner perguntou sobre as alianças partidárias. Quis saber como o tucano aceitava o apoio do PTB, partido envolvido no Mensalão do PT. E da mesma forma que a candidata petista, Serra tentou descolar sua imagem pessoal dos problemas vividos por Roberto Jefferson e seus correligionários. “O PTB está aliado em torno da minha proposta para o Brasil. Eles sabem como eu sou e que eu não aceito coisa errada”, afirmou o candidato. “Quem erra é responsável por seus atos. Eu não fico julgando, mas quem tá comigo, sabe como eu trabalho. Comigo não tem loteamento de cargo. Foi assim no Ministério da Saúde, no governo do estado e na prefeitura de São Paulo.”

Fátima Bernardes lembrou da demora pela escolha do candidato a vice da chapa, deputado Indio da Costa, e quis saber se um político tão jovem tinha experiência para ser vice. Serra ressaltou que Indio da Costa foi relator da Lei da Ficha Limpa e disse que sua juventude deveria ser encarada como uma virtude. “Mas é bom dizer que eu tenho boa saúde, ninguém está querendo ser vice comigo, achando que eu não vou concluir o mandato”, disse. A frase soou como uma referência enviesada ao linfoma enfrentado no início do ano passado pela candidata Dilma Rousseff.

Pedágios – Outra pergunta em que foi pressionado, feita por William Bonner, referia-se aos preços cobrados nos pedágios das rodovias paulistas cedidas à iniciativa privada. Serra enfrentou a questão com pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, que aponta as estradas paulistas como as melhores do país, em contraponto com as rodovias federais privatizadas, que têm pedágios baratos mas estão mal conservadas. “Sete em cada dez estradas federais estão esburacadas, são rodovias da morte”, afirmou. Bonner insistiu: não existiria um meio termo, em que a estrada pudesse ser boa, mas sem preços tão altos? E o tucano voltou ao exemplo concreto, citando a rodovia Ayrton Senna, em São Paulo, que foi privatizada por ele. “O preço do pedágio caiu pela metade do que era cobrado antes, mas desses bons exemplos as pessoas nunca lembram.”

Depois de um desfile de números sobre os recursos arrecadados pelo governo federal com a Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) e jamais investidos nas estradas, Serra foi convidado a fazer seu encerramento. Foi o momento em que o candidato se saiu pior. Perdeu tempo demais lembrando sua origem humilde e acabou interrompido pelo apresentador do Jornal Nacional antes de concluir a mensagem. O tempo de 12 minutos havia estourado.

Serra sobre Dilma: "Disputa não é sobre o passado"

Em entrevista ao Jornal Nacional nesta quarta-feira, 11, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, tentou descolar sua adversária, Dilma Rousseff (PT) da imagem do presidente Lula. Serra diz não ter medo de enfrentar a alta popularidade de Lula: ‘O Lula fez coisas boas e coisas nem tão boas. A discussão é o que vai acontecer para frente. Nós não estamos fazendo uma disputa sobre o passado’, afirmou o tucano. “Não há presidente que possa governar na garupa, estou focado no futuro”, acrescentou.

Serra ainda foi questionado sobre o envolvimento do PTB, partido que apoia o tucano, no mensalão. “Os personagens principais nem foram do PTB, foram do PT, a denúncia inclusive foi feita pelo Roberto Jefferson. O Roberto Jefferson (presidente do PTB) conhece meu estilo de governar, o PTB está conosco”, respondeu.

A entrevista de Serra ao JN foi a terceira com os principais candidatos à Presidência. Durante a entrevista, o programa atingiu média de 32 pontos no Ibope, o que corresponde a 48% dos televisores ligados da Grande São Paulo.

. Na segunda-feira, 9, foi a vez da candidata do PT, Dilma Rousseff. Na terça, 10, Marina Silva (PV) foi entrevistada .

As entrevistas foram realizadas pelos jornalistas William Bonner e Fátima Bernardes e tiveram 12 minutos de duração, com 30 segundos de tolerância. Na quinta-feira, 12, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) gravará uma entrevista de 3 minutos na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL). A ordem dos candidatos foi definida em sorteio.

Veja como foi a entrevista:

20h41 - Palavras finais de Serra: “Eu tenho uma origem humilde. Meus pais eram pobres e eu devo muito a eles. Eles teriam muito orgulho de me ver aqui no Jornal Nacional, é a segunda vez que estou aqui como candidato a Presidência.”

20h38 - Bonner pergunta se Serra pretende levar o modelo de concessão de estradas para o País. Serra cita a alta aprovação das estradas de São Paulo, de 75%, segundo o candidato. De acordo com ele, as estradas federais são “estradas da morte”. ”De 2003 para cá foram arrecadados R$ 65 bilhões para melhorar estradas, só R$ 25 bi foram gastos para esse fim”.

20h36 – Serra diz que o nome de Índio da Costa já havia sido pensado há mais tempo, que não foi divulgado porque senão ia ser uma ‘fofocaiada’ e lembrou da atuação do vice na aprovação da Lei da Ficha Limpa.

20h35 – Fátima pergunta a Serra sobre a escolha de Índio da Costa como vice e o chama de centralizador. “Em primeiro lugar, eu não sou centralizador, eu sou cobrador”.

20h33 – Bonner questiona Serra sobre o envolvimento do PTB no mensalão. “Os personagens principais nem foram do PTB, foram do PT, a denúncia inclusive foi feita pelo Roberto Jefferson. O Roberto Jefferson (presidente do PTB) conhece meu estilo de governar, o PTB está conosco. Eu não tenho compromisso com nenhum erro. Eu não faço loteamento de cargo.

20h32 – Serra diz que por isso pretende comparar currículos e lembra sua atuação no Ministério da Saúde, citando a criação dos genéricos. O tucano voltou a criticar o fim dos mutirões.

20h30 – Serra diz não ter medo de enfrentar a alta popularidade de Lula: ‘O Lula fez coisas boas e coisas nem tão boas. A discussão é o que vai acontecer para frente. Nós não estamos fazendo uma disputa sobre o passado’.

20h28 - Questionado sobre o fato de ter elogiado Lula, Serra diz que”‘o Lula não é candidato. A partir de 1º de janeiro, ele não vai mais ser presidente. Não há presidente que possa governar na garupa, estou focado no futuro.”

Fonte:
Veja + O Estado de S. Paulo

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