Basileia III: bancos terão que triplicar capital de proteção contra crises

Publicado em 13/09/2010 09:03
Acordo foi fechado em reunião com autoridades de 27 países comandada pelo presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet.
Reguladores globais e chefes de bancos centrais chegaram a um acordo sobre a Basileia III, uma grande reforma da regulamentação global que irá forçar bancos a aumentarem suas reservas de capital para se protegerem de crises. Os bancos terão que triplicar, para 7%, o total de suas reservas de proteção contra uma futura crise. Pelas novas regras sobre capital e liquidez, os bancos devem ter um mínimo do chamado capital de Tier 1 - lucros e ações retidas - de 4,5%, ante os 2% exigidos atualmente, segundo comunicado do grupo presidido pelo presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet. O valor total de Tier 1 foi determinado em 6%, ante os 4% atuais.

Os bancos também terão que criar uma proteção adicional, chamado "colchão de proteção", de 2,5%, formada por ativos comuns. Ainda será exigido outro "colchão de proteção anticíclico" de entre 0 e 2,5% em condições de crédito excessivo. As novas regras de capital Tier 1 serão implementadas a partir de janeiro de 2013, até janeiro de 2015, enquanto as proteções adicionais devem ser implementadas entre janeiro de 2016 e janeiro de 2019.

Analistas, reguladores e banqueiros esperavam que o acordo deste domingo determinasse uma reserva de capital mínima de entre 7% e 9%, além do valor adicional de proteção. O acordo foi fechado em uma reunião entre autoridades de 27 países presidida pelo presidente do Banco Central Europeu. A maior parte do Basileia III já havia sido decidida em julho, restando à reunião deste domingo apenas duas partes do quebra-cabeça - definir quanto capital extra os bancos devem reservar e o prazo para se adequar às novas regras.

Após a crise financeira global, devido em parte às práticas arriscadas dos bancos, líderes do G20 - as maiores economias do mundo - pediram que reguladores e bancos centrais discutissem uma regulamentação mais severa sobre o capital de instituições financeiras. Os líderes do G20 devem aprovar o acordo em reunião em Seul, em novembro. Caso um banco não se adeque às novas regras, ele terá que cortar o valor pago em bônus e dividendos.

Reguladores dizem estar confiantes de que as novas regras de capital da Basileia irão aumentar a estabilidade do sistema financeiro sem prejudicar o volume de crédito disponível.

Fonte: Veja + Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Ibovespa fecha em alta com ajuda de Fed e Moody's; Bradesco e Weg recuam
Wall St avança com Fed sinalizando viés mais brando antes de dados de emprego
Dólar tem maior queda diária desde agosto sob influência de Fed e Moody's
RS tem mais de 300 mil sem luz; barragem de usina se rompe
Taxas futuras despencam com decisão do Fed e anúncio da Moody's sobre Brasil