Dólar fecha a R$ 1,69, menor taxa em dois anos; Bovespa avança 0,23%

Publicado em 30/09/2010 17:07
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Há pelo menos dois anos o mercado de câmbio doméstico não vai taxas tão baixas quanto as cifras desta quinta-feira. Analistas avaliam que a entrada de capital por conta da oferta da Petrobras intensificou o viés de queda nos preços da moeda americana. Para completar, fatores técnicos da sessão de hoje (o vencimento dos contratos futuros de dólar) contribuíram para o rompimento do piso informal de R$ 1,70.

O Banco Central manteve a prática regular de compras, realizando um leilão pouco depois das 11h (hora de Brasília) e um segundo perto das 16h, sem conseguir, no entanto, deter a trajetória das taxas de câmbio.

Nesse contexto, o dólar comercial foi trocado por R$ 1,692, em queda de 0,76%, nas últimas operações desta quinta-feira. Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,702 e R$ 1,692. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,810 para venda e por R$ 1,640 para compra.

Ainda operando, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) sobe 0,23%, aos 69.389 pontos. O giro financeiro é de R% 6,54 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York recua 0,24%.

Profissionais de mercado lembram que o dia foi atípico: a Ptax (taxa média de câmbio, calculada pelo BC) do final de mês vai servir de referência para o vencimento dos contratos de dólar no mercado futuro. Nesses dias, tradicionalmente há a disputa entre "comprados" (que ganham com a alta da cotação) e "vendidos" (que ganham com a baixa) para influenciar a formação da taxa média.

Essa briga entre agentes financeiros acentua a tradicional volatilidade do dólar, num contexto em que a tendência predominante das taxas é para baixo. Há pelo menos dois motivos muito fortes: o enfraquecimento da moeda americana em nível mundial, já que a economia dos EUA segue claudicante; e no curto prazo, a oferta pública da Petrobras, que trouxe um grande volume de capital estrangeiro, e acelerou a contração das taxa cambial.

E nos próximos meses, não há perspectiva de que a entrada de capital estrangeiro cesse, pelo contrário: diariamente empresas brasileiras anunciam captações no exterior, aproveitando tanto a credibilidade do país conquistada lá fora quanto os patamares historicamente baixos dos juros internacionais. Estrangeiros também miram os ativos brasileiros, de olho nos juros domésticos, ainda entre os mais altos do mundo.

Mas há pelo menos dois fatores que podem contrabalançar as forças que puxam a taxa cambial. Primeiro, o aumento sazonal do fluxo de saída no último trimestre do ano, por conta de remessas de lucros para o exterior além de pagamentos de dividendos e empréstimos. Em segundo, a expectativa pelas supostas medidas que o Banco Central pode tomar para conter a derrocada do dólar que, em tese, seriam anunciadas após o período eleitoral.

Para Felipe Brandão, especialista em mercados emergentes da corretora Icap Brasil, o mercado pode testar nos próximos dias a que níveis a taxa de câmbio pode chegar, já que, por enquanto, as medidas oficiais não ultrapassaram a barreira da artilharia verbal.

"Mas eu insisto: o rompimento hoje [do piso de R$ 1,70] ocorre num dia muito atipico. Temos que aguardar os próximos dias e ver o que o Banco Central pode fazer", ressalva.

JUROS FUTUROS

No mercado futuro de juros, que serve de referência para o custo dos empréstimos nos bancos, as taxas projetadas subiram em boa parte dos contratos mais negociados.

No contrato para novembro deste ano, a taxa projetada subiu de 10,63% ao ano para 10,64%. No contrato para janeiro de 2011, a taxa prevista foi mantida em 11,67%; e no contrato para janeiro de 2012, a taxa projetada passou de 11,47% para 11,50%.

Os números são preliminares e estão sujeitos a ajustes.

Fonte: Folha Online

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