Dólar fecha a R$ 1,67, menor taxa em 25 meses; Bovespa tem ganho de 1,1%

Publicado em 05/10/2010 16:36 e atualizado em 05/10/2010 17:49
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Um dia após o governo ter lançado mão de sua medida mais "agressiva" dos últimos anos para conter a valorização do real, a taxa de câmbio retrocedeu para o seu menor patamar em 25 meses. Especialistas já avaliam que as cotações podem oscilar, a partir desta semana, em um novo patamar, entre R$ 1,70 e R$ 1,65. Também há a percepção de que o governo ainda não esgotou seu arsenal de instrumentos para influenciar as taxas.

O dólar comercial foi vendido por R$ 1,674, em queda de 1,06%, nas últimas operações desta terça-feira. Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,701 e R$ 1,673. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,800 para venda e por R$ 1,630 para compra.

Ainda operando, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) valoriza 1,10%, aos 71.161 pontos, o maior patamar desde abril. O giro financeiro é de R$ 6,96 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York sobe 1,94%.

Ontem à noite, o governo brasileiro anunciou a elevação do IOF cobrado sobre aplicações de estrangeiros em renda fixa no país, de 2% para 4%, como forma de conter a valorização excessiva do real frente ao dólar.

Apesar dessa medida, a cotação da moeda americana desvalorizou durante toda a jornada de negócios, o que levou o ministro Guido Mantega (Fazenda) a pedir "calma". "Não sejamos apressados. Vamos deixar a medida ter efeito", disse hoje.

"Provavelmente, essa medida do IOF pode ter algum efeito, acho que nos próximos dias, de amenizar a queda do dólar, mas não vai ser suficiente: esse enfraquecimento do dólar é uma questão global", constata José Raymundo de Faria Jr., da consultoria Wagner Investimentos.

"Acho que o Mantega deu azar, porque hoje foi um dia em que o banco central japonês baixou os juros, que a Moody's fez declarações favoráveis sobre o Brasil, e até sobre a Grécia. Só o fato do Japão ter reduzido os juros básicos já 'autoriza' ainda mais as operações de 'carregamento' [carry trade]'", acrescenta.

O chamado "carry trade" é um termo utilizado para o mercado para identificar as operações em que grandes agentes financeiros tomam dinheiro em praças financeiras com juros bastante baixos (como Japão e EUA), e aplicam em ativos financeiros em mercados que praticam taxas maiores, a exemplo do Brasil.

Analistas atribuem a essa arbitragem entre os juros domésticos e internacionais uma razão principal da queda das taxas no mercado interno.

EUA E JAPÃO

Entre as primeiras notícias do dia, o banco central japonês surpreendeu os mercados e rebaixou a taxa básica de juros desse país de 0,1% para quase zero. Trata-se da primeira mudança na política monetária japonesa desde dezembro 2008, em plena crise financeira internacional.

Já nos EUA, a entidade privada ISM detectou uma aceleração no ritmo de atividade do setor de serviços desse país em setembro. O índice elaborado por esse instituto teve uma leitura de 53,2 pontos no mês passado. Economistas do setor financeiro estimavam uma cifra em torno de 51,8 pontos.

JUROS FUTUROS

No mercado futuro de juros, que serve de referência para o custo dos empréstimos nos bancos, as taxas projetadas recuaram na maior parte dos contratos negociados.

No contrato para novembro deste ano, a exceção do dia, a taxa projetada passou de 10,63% para 10,64%. No contrato para janeiro de 2011, a taxa prevista cedeu de 11,66% para 11,65%; e no contrato para janeiro de 2012, a taxa projetada caiu de 11,44% para 11,41%.

Os números são preliminares e estão sujeitos a ajustes.
Fonte: Folha Online

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