Rússia quer entrar na OMC, mas com direito a subsídios agrícolas

Publicado em 14/10/2010 09:00
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A Rússia insiste em entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC) com direito de continuar dando um volume bilionário de subsídios agrícolas, que causa reação dos exportadores agrícolas como o Brasil.

Moscou quer aderir com subsídios agrícolas de US$ 9 bilhões e só cortá-los gradualmente pela metade em 2017, quando ficaria em US$ 4,4 bilhões, conforme nova proposta apresentada aos membros da OMC.

O montante da ajuda representa 14% do valor bruto de sua produção agrícola, maior do que nos Estados Unidos, onde o percentual fica em 10%. "Os russos exigem facilidades leoninas na agricultura", diz um negociador.

Levantamento da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que, ao mesmo tempo em que negociava sua adesão à OMC, a Rússia continuou aumentando sua ajuda ao setor agrícola: o nível de apoio ao produtor pulou de 5% do valor da produção em 2000 para os 14% em 2006-2008.

Cerca de 30% da renda dos produtores de carnes bovina e frango vêm dos subsídios. No caso da produção suína e de açúcar, o percentual chega a 40%. O plano é depender menos das importações do Brasil, EUA e UE.

Maxim Medevkov, principal negociador russo, disse na imprensa local que as condições para importação de carnes suína, bovina e frango serão "endurecidas", mas acha que isso não será obstáculo para entrar na OMC.

O grupo de Cairns, que reúne os principais países exportadores, incluindo Brasil, EUA, Argentina, Austrália e o Canadá, nega ter aceito a proposta, como chegou a ser noticiado em Moscou.

O que o grupo fez foi pedir ao governo de Medvedev para apresentar detalhes de sua nova proposta, afim de ser comparada à anterior. Está claro que um acordo dependerá do que a Rússia pagará como contrapartida, como no acesso para carnes brasileiras.

Prevendo as dificuldades, os russos não falam mais em entrar este ano na entidade e, sim, por volta de 2012. Moscou elevou recentemente os subsídios, alegando que precisa modernizar a agricultura. Diz que seus programas são parecidos com os do Brasil, como reciclagem de dívida agrícola e subsídios para crédito. Nota que as ajudas para produtos específicos diminuíram muito, o que tornaria sua política menos distorciva ao comércio.
Fonte: Valor Econômico

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