Dólar fecha a R$ 1,68, após "susto" com IOF e China; Bovespa retrocede 2,39%

Publicado em 19/10/2010 17:19
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O mercado de câmbio doméstico acusou o golpe. No dia seguinte ao novo ajuste do IOF sobre renda fixa para estrangeiros, a cotação do dólar comercial voltou a encostar na faixa de R$ 1,70, perdido há quase duas semanas. O cenário externo também foi outro fator, que combinado, deu um "susto" na praça financeira no expediente de hoje.

Nesse contexto, o dólar comercial foi trocado por R$ 1,687 (valor de venda), em uma avanço de 1,26% sobre o fechamento anterior. Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,701 e R$ 1,681. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,770 para venda e por R$ 1,630, para compra.

Ainda operando, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) sofre perdas de 2,39%, aos 70.021 pontos. O giro financeiro é de R$ 5,47 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York perde 1,66%.

Ontem à noite, o governo voltou à carga para combater a desvalorização cambial e elevou novamente a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre as operações de estrangeiros em renda fixa no país, desta vez de 4% para 6%. Também aumentou o imposto incidente sobre as margens (depósitos) exigidos para operações com derivativos, de 0,38% para 6%.

Analistas avaliam que a medida visa inibir, principalmente, a entrada de capital especulativo de curto prazo, que tende a provocar grande volatilidade na formação da taxa de câmbio. E mais do que o efeito financeiro no fluxo de reservas para o país, profissionais do setor de câmbio afirmam que a nova intervenção reforçou a ideia de que o governo não esgotou seu arsenal de medidas para conter a valorização do real frente à moeda americana.

"Mesmo com toda a alta de hoje, o Banco Central não deixou de fazer os seus leilões [para compra de moeda]. Acho que esse novo aumento do IOF mostrou bem para o mercado que o governo vai fazer muito força para manter o dólar mais perto de R$ 1,70", comenta Luiz Fernando Moreira, da mesa de operações da Dascam corretora. Assim como outros profissionais do setor, ele acredita que "com toda a certeza" o governo deve anunciar novas medidas que mexam com as taxas de câmbio após o encerramento do calendário eleitoral.

O cenário externo também ajudou a dar impulso para as taxas de câmbio. As discussões em torno da "guerra cambial", tal como definida pelo ministro Guido Mantega (Fazenda), continuam a movimentar o noticiário internacional.

Hoje, Mantega saudou o surpreendente aperto da política monetária chinesa --o primeiro aumento de juros desde 2007-- como positivo para conter a desvalorização do dólar em nível mundial. "Pode valorizar um pouco a moeda deles. Vai na direção correta. Eles estão colaborando", disse.

Mas a OMC (Organização Mundial do Comércio) manifestou preocupação com as consequências dessa "guerra". "O trabalhoso caminho para a estabilidade e a reativação impulsionada pelo comércio poderá se ver seriamente ameaçado por comportamentos monetários não cooperativos", declarou o diretor-geral Pascal Lamy, em Genebra.

JUROS FUTUROS

No mercado futuro de juros, que serve de referência para o custo dos empréstimos nos bancos, as taxas projetadas ficaram praticamente estáveis, com exceção dos contratos de prazo mais longo.

O Copom anuncia amanhã qual deve ser a nova taxa básica de juros do país. A maior parte dos economistas projeta a manutenção em 10,75% ao ano.

No contrato para janeiro de 2011 (de curto prazo), a taxa projetada foi mantida em 10,64%; no contrato para janeiro de 2012, a taxa prevista permaneceu em 11,32%. E no contrato para janeiro de 2013, a taxa projetada avançou de 11,64% para 11,74%. Esses números são preliminares e estão sujeitos a ajustes.

Fonte: Folha Online

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