Juro na China turbina reação a IOF e dólar sobe 1,3%

Publicado em 20/10/2010 08:04
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A alta inesperada dos juros na China contribuiu para a intenção do governo brasileiro de frear a queda do dólar ante o real, colocando a moeda norte-americana em alta de mais de 1% no primeiro dia de vigência do imposto maior sobre a entrada de capital estrangeiro para renda fixa.

O dólar subiu 1,26% nesta terça-feira, para R$ 1,687. Na máxima do dia, a divisa chegou a ser cotada a R$ 1,700, maior nível deste mês.

Na véspera, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, elevou de 4% para 6% a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em aplicações de estrangeiros em renda fixa. A mesma taxa foi adotada sobre a conversão de dólares em reais para depósitos de margem de garantia na bolsa.

Mas, antes de o mercado avaliar o efeito imediato do IOF maior sobre o dólar, a China surpreendeu analistas ao subir os juros pela primeira vez desde 2007, em uma tentativa de limitar as pressões inflacionárias .

"Ele [Mantega] deu sorte", disse o operador de um banco "dealer", que preferiu não ser identificado, ao comentar a alta do dólar no mercado internacional -- cerca de 1,7% ante uma cesta com as principais moedas às 16h30.

O próprio ministro saudou a decisão da China de elevar os juros. O país tem sido criticado em fóruns internacionais por manter o yuan desvalorizado e, com isso, baratear suas exportações. "Eles estão colaborando", comentou Mantega.

Foi um roteiro inverso ao de duas semanas atrás. Quando o governo elevou o IOF de 2% para 4%, a primeira reação do dólar foi cair. À ocasião, a surpresa foi protagonizada pelo banco central japonês, que cortou o juro para praticamente zero.

Futuro

A indiferença do mercado à primeira alta do IOF deste mês corroborava os cálculos de Tatiana Pinheiro e Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, de que a medida tem efeito inócuo sobre a taxa de câmbio.

"Nossos resultados sugerem que o aumento do imposto sobre a entrada de capital (e medidas similares) é equivalente a atirar pedras no meio de uma guerra", escreveram os analistas.

Mas a rapidez com que o governo publicou um novo decreto para taxar o capital especulativo deixou outros investidores cautelosos com a possibilidade de que novas medidas ainda sejam anunciadas. Com políticas menos previsíveis, aumenta o risco e, consequentemente, diminui a perspectiva de alta do real.

Sandro Serpa, subsecretário de tributação da Receita Federal, afirmou a jornalistas que "a gente está observando o mercado, observando a consequência da medida para ver qual a eficácia dela."

Segundo ele, o Banco Central "vai acompanhar a medida e ver quais são os próximos passos, se é que haverá próximos passos."

Exportadores

A breve subida do dólar a R$ 1,70 atraiu exportadores para o mercado, afirmou Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora. "Eles estavam com dinheiro parado lá fora. Muita gente já aproveitou e vendeu dólar", disse, dando apoio à visão de outros dois operadores ouvidos pela Reuters.

O volume de operações registradas na clearing (câmara de compensação) da BM&FBovespa até perto do fechamento era de US$ 3,6 bilhões, pouco além da média diária do mês.
Fonte: Reuters

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