Preços do álcool disparam apesar da produção recorde de cana-de-açúcar

Publicado em 22/10/2010 15:26
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A produção brasileira de cana-de-açúcar atingiu mais um recorde em 2009, ao subir 4% na comparação com 2008, para 671,3 milhões de toneladas. Mas se mostrou bastante inferior ao crescimento verificado na passagem de 2007 para 2008, quando subiu 17,4%, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira (20) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A princípio, mesmo com o crescimento menor, a notícia é boa porque poderia ser indicativa de futura queda nos preços do álcool e do açúcar, beneficiando os consumidores. No entanto, ocorreu justamente o movimento contrário: os preços dispararam nas bombas nas últimas semanas e a tendência, até março, é que continuem subindo.

De acordo com Carlos Alfredo Guedes, analista da coordenação de Agropecuária do IBGE, o avanço da cana-de-açúcar foi menor em consequência da crise econômica internacional (que diminuiu o crédito para os produtores e evitou investimentos em novas usinas).

- Se não tivesse ocorrido a crise, a produção recorde de cana-de-açúcar no Brasil teria sido ainda maior.

Além disso, segundo o IBGE, o excesso de chuvas no segundo semestre de 2009 diminuiu o ritmo de colheita, o que impediu o processamento de uma quantidade considerável de cana, que ficou no campo para a próxima safra.

Ou seja, a falta da cana para produzir álcool, dada a constante procura pelo combustível, instantaneamente causou aumento nos preços, pela lei da oferta e da procura, já que a frota de carros flex (que utilizam gasolina e álcool) continua em crescimento e a quantidade de álcool disponível tende a diminuir. Assim, até março, quando a próxima safra começa a ser colhida, o brasileiro vai ter que colocar a mão no bolso.

De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), nas últimas quatro semanas, o preço médio do álcool no Brasil subiu 6,1%. No Estado de São Paulo - maior produtor de cana-de-açúcar -, a alta média foi de 10%. A cidade de Ribeirão Preto, maior produtora mundial de álcool, teve aumento de 26% nas bombas.

Outro fator que também está aumentando o preço do etanol no mercado interno é a quebra da colheita indiana. Há dois anos, o país asiático não consegue recuperar sua produção de cana para produzir açúcar. Com isso, ficou mais interessante para as usinas brasileiras produzirem açúcar, explica o analista do IBGE.

- A perda da colheita indiana elevou os preços do produto no mercado externo e tornou mais vantajoso para os produtores em todos os países [em especial o Brasil] a destinar cana-de-açúcar para açúcar e não etanol, o que diminuiu ainda mais a quantidade de combustível disponível para consumo da população.

A procura internacional pelo açúcar brasileiro é tão elevada que está ocasionando filas de navios no Porto de Santos.

Numa análise parcial da safra 2010/11, o preço do açúcar no mercado internacional (Bolsa de Londres) continua pagando mais que o doméstico (levando São Paulo como base). Em média, o preço é 7% maior, segundo análise do Cepea (Centro de Pesquisas Econômicas da Escola Superior de Agricultura).

Preços do álcool na última semana
Os preços médios do etanol hidratado nos postos subiram em 20 Estados na semana encerrada no último sábado (16), de acordo com dados coletados pela ANP.

O preço mínimo encontrado para o álcool foi de R$ 1,238 por litro, em São Paulo, e o máximo foi de R$ 2,79 por litro no Acre. Na média de preços, o menor valor médio foi de São Paulo, de R$ 1,572 por litro, e o maior também foi registrado no Acre, de R$ 2,372 por litro.

Em Minas Gerais, segundo maior produtor, saltou 2,06% na semana, de R$ 1,746 para R$ 1,782 e, na Bahia, os valores dispararam 22,4%, subindo 3,46% na média semanal. No Paraná, terceiro maior produtor, o valor médio subiu 4,28%, de R$ 1,563 para R$ 1,630, se comparados os mesmos períodos.

Os preços ficaram mais baratos em apenas quatro Estados - Pará, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe - e ficaram praticamente estáveis no Distrito Federal, Rondônia e Tocantins. Em Sergipe ocorreu a maior baixa, de 0,98%.

Competitividade etanol x gasolina
Mesmo com as altas, na média de preços, ainda é mais vantajoso abastecer com álcool em dez Estados, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Tocantins. Segundo a ANP, na média, o etanol ficou em R$ 1,704 na semana passada, ante R$ 1,647 na semana anterior.

Em relação ao valor da gasolina (de R$ 2,567 por litro), o álcool está em 66,38% da média do combustível, ou seja, falta pouco para alcançar os 70%, valor que aponta o equilíbrio com a gasolina, tornando ainda o etanol mais competitivo.
A produção brasileira de cana-de-açúcar atingiu mais um recorde em 2009, ao subir 4% na comparação com 2008, para 671,3 milhões de toneladas. Mas se mostrou bastante inferior ao crescimento verificado na passagem de 2007 para 2008, quando subiu 17,4%, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira (20) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A princípio, mesmo com o crescimento menor, a notícia é boa porque poderia ser indicativa de futura queda nos preços do álcool e do açúcar, beneficiando os consumidores. No entanto, ocorreu justamente o movimento contrário: os preços dispararam nas bombas nas últimas semanas e a tendência, até março, é que continuem subindo.

De acordo com Carlos Alfredo Guedes, analista da coordenação de Agropecuária do IBGE, o avanço da cana-de-açúcar foi menor em consequência da crise econômica internacional (que diminuiu o crédito para os produtores e evitou investimentos em novas usinas).

- Se não tivesse ocorrido a crise, a produção recorde de cana-de-açúcar no Brasil teria sido ainda maior.

Além disso, segundo o IBGE, o excesso de chuvas no segundo semestre de 2009 diminuiu o ritmo de colheita, o que impediu o processamento de uma quantidade considerável de cana, que ficou no campo para a próxima safra.

Ou seja, a falta da cana para produzir álcool, dada a constante procura pelo combustível, instantaneamente causou aumento nos preços, pela lei da oferta e da procura, já que a frota de carros flex (que utilizam gasolina e álcool) continua em crescimento e a quantidade de álcool disponível tende a diminuir. Assim, até março, quando a próxima safra começa a ser colhida, o brasileiro vai ter que colocar a mão no bolso.

De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), nas últimas quatro semanas, o preço médio do álcool no Brasil subiu 6,1%. No Estado de São Paulo - maior produtor de cana-de-açúcar -, a alta média foi de 10%. A cidade de Ribeirão Preto, maior produtora mundial de álcool, teve aumento de 26% nas bombas.

Outro fator que também está aumentando o preço do etanol no mercado interno é a quebra da colheita indiana. Há dois anos, o país asiático não consegue recuperar sua produção de cana para produzir açúcar. Com isso, ficou mais interessante para as usinas brasileiras produzirem açúcar, explica o analista do IBGE.

- A perda da colheita indiana elevou os preços do produto no mercado externo e tornou mais vantajoso para os produtores em todos os países [em especial o Brasil] a destinar cana-de-açúcar para açúcar e não etanol, o que diminuiu ainda mais a quantidade de combustível disponível para consumo da população.

A procura internacional pelo açúcar brasileiro é tão elevada que está ocasionando filas de navios no Porto de Santos.

Numa análise parcial da safra 2010/11, o preço do açúcar no mercado internacional (Bolsa de Londres) continua pagando mais que o doméstico (levando São Paulo como base). Em média, o preço é 7% maior, segundo análise do Cepea (Centro de Pesquisas Econômicas da Escola Superior de Agricultura).

Preços do álcool na última semana
Os preços médios do etanol hidratado nos postos subiram em 20 Estados na semana encerrada no último sábado (16), de acordo com dados coletados pela ANP.

O preço mínimo encontrado para o álcool foi de R$ 1,238 por litro, em São Paulo, e o máximo foi de R$ 2,79 por litro no Acre. Na média de preços, o menor valor médio foi de São Paulo, de R$ 1,572 por litro, e o maior também foi registrado no Acre, de R$ 2,372 por litro.

Em Minas Gerais, segundo maior produtor, saltou 2,06% na semana, de R$ 1,746 para R$ 1,782 e, na Bahia, os valores dispararam 22,4%, subindo 3,46% na média semanal. No Paraná, terceiro maior produtor, o valor médio subiu 4,28%, de R$ 1,563 para R$ 1,630, se comparados os mesmos períodos.

Os preços ficaram mais baratos em apenas quatro Estados - Pará, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe - e ficaram praticamente estáveis no Distrito Federal, Rondônia e Tocantins. Em Sergipe ocorreu a maior baixa, de 0,98%.

Competitividade etanol x gasolina
Mesmo com as altas, na média de preços, ainda é mais vantajoso abastecer com álcool em dez Estados, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Tocantins. Segundo a ANP, na média, o etanol ficou em R$ 1,704 na semana passada, ante R$ 1,647 na semana anterior.

Em relação ao valor da gasolina (de R$ 2,567 por litro), o álcool está em 66,38% da média do combustível, ou seja, falta pouco para alcançar os 70%, valor que aponta o equilíbrio com a gasolina, tornando ainda o etanol mais competitivo.
Fonte: R7

1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    O redator desta noticia deve ter se baseado no Dicionário "Haurélho" e nos chutes do IBGE para reunir de uma vez só, meia dúzia de impropérios. Começa pelo uso impróprio do verbo "disparar" e mistura preços de venda com custo de produção como já é de costume pela nossa imprensa. Tivéssemos eficientes motores à etanol em vez dos beberrões FLEX, a situação também seria outra. Os brasileiros se deixam levar muito facilmente por modismos difundidos pelos abobalhadores interesseiros de plantão. "Disparam".... ora disparam onde?

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