Recuperação mundial desacelera e dívida pública cresce, alerta OCDE

Publicado em 03/11/2010 15:03
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O ritmo de recuperação da economia global vem desacelerando desde o início do ano, enquanto a dívida da maioria dos países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) caminha para níveis recordes, alerta a entidade em relatório divulgado nesta quarta-feira.

Com a retirada dos incentivos fiscais, avalia a OCDE, a produção e o comércio foram atenuados.  A expectativa para este ano é de que o Produto Interno Bruto (PIB) dos países membros da OCDE cresça entre 2,5% e 3%, caindo para a faixa de 2% a 2,5% em 2011 e voltando para algo entre 2,5% e 3% em 2012.

A atividade deve variar amplamente entre os países, particularmente entre os da zona do euro. Os Estados Unidos devem ganhar um impulso considerável em 2012, enquanto a recuperação japonesa deve perder força.

Em muitas economias emergentes, o crescimento continua robusto, embora a um ritmo ligeiramente mais lento que no início da recuperação, diz a OCDE, acrescentando que a crise levou as dívidas e os déficits públicos a níveis insustentáveis.

De acordo com a entidade, apenas para estabilizar a relação dívida-PIB, a maioria dos países terá de trazer seus gastos para a faixa de 6% a 9% do PIB. "Mas de fato é necessário ainda mais para trazer de volta a dívida para níveis sustentáveis", afirma a OCDE.

Regras orçamentárias e fiscalização independente das contas públicas podem ajudar a garantir a consolidação necessária, sugere a OCDE. O grande desafio para as autoridades monetárias, ressalta a entidade, será retirar os programas de estímulo sem fragilizar excessivamente o mercado financeiro.

Devido ao fraco crescimento dos Estados Unidos e da zona do euro, e considerando que as expectativas de inflação continuem bem ancoradas, a normalização das taxas de juros só deverá acontecer no primeiro semestre de 2012, a um ritmo que permitiria à política monetária manter-se acomodada, estima a OCDE.
 
Se o crescimento se tornar mais fraco que o previsto, a normalização das taxas de juro deverá ser adiada. O mesmo pensamento é válido caso a deflação persista no Japão. Neste caso, as taxas poderiam permanecer baixas em 2011 e 2012, e mais medidas de incentivo poderiam ser adotadas para estimular a economia.

A OCDE ainda vê o risco de bolhas nas economias emergentes. Contínuas medidas monetárias em muitas das economias desenvolvidas gera um fluxo de capital para as economias emergentes, criando o risco de bolha de ativos, ao mesmo tempo em que pressiona as taxas de câmbio, explica a entidade, adicionando que as intervenções unilaterais no câmbio podem levar a respostas protecionistas.
Fonte: Valor Online

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