União Europeia prevê fim das negociação para socorro irlandês em dez dias

Publicado em 22/11/2010 12:12 133 exibições
As negociações que o governo irlandês mantém com a UE (União Europeia) e o FMI (Fundo Monetário Internacional) para obter um resgate de seu sistema financeiro serão finalizadas antes de dez dias, anunciou nesta segunda-feira o comissário europeu para Assuntos Econômicos, Olli Rehn.

"As negociações técnicas sobre este programa de ajuda estão bem encaminhadas. Poderão ser finalizadas antes do final de novembro", explicou, no dia seguinte ao anúncio de acordo de princípio para o resgate da Irlanda.

O primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, confirmou no domingo que seu país solicitou um pedido de ajuda financeira internacional de bilhões de euros, que recebeu a aprovação dos ministros das Finanças da UE e do FMI.

O líder irlandês não informou o montante exato da ajuda solicitada, mas anunciou que o atual percentual de tributação, de 12,5%, um dos mais baixos do mundo, não será modificado.

O ministro belga das Finanças, Didier Reynders, cujo país detém a presidência rotativa da UE, confirmou pouco antes em Bruxelas um acordo europeu para apoiar a Irlanda e informou que a ajuda será de "menos de 100 bilhões de euros".

Os valores apostados desde o início iam de 40 bilhões de euros a 100 bilhões de euros (entre US$ 55 bilhões e US$ 137 bilhões), menos que os 110 bilhões de euros recebidos há seis meses pela Grécia, a primeira vitima da crise da dívida que precisou ser resgatada.

Em uma declaração oficial posterior, os ministros europeus das Finanças consideraram que a ajuda à Irlanda, pedida por Dublin, é justificada para "preservar a estabilidade financeira da UE e da zona do euro".

Por sua vez, o FMI também declarou-se "pronto para se juntar" ao programa de ajuda à Irlanda com um empréstimo de vários anos, disse em Washington seu diretor-gerente, Dominique Strauss-Kahn.

A ajuda será financiada mediante três mecanismos: um, pelo qual o orçamento da UE garantirá empréstimos de até 60 bilhões de euros, outro, no qual o garantidor será o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, com uma capacidade de até 440 bilhões de euros e para o qual contribuem os países da zona do euro e outros Estados europeus não integrantes do bloco e, finalmente, pelo FMI.

Cerca de trinta especialistas da UE e do FMI discutiam desde quinta-feira com as autoridades irlandesas em Dublin as modalidades técnicas desta ajuda, que deve centrar-se nas superendividadas entidades financeiras irlandesas, cujo resgate disparou o deficit irlandês para 32% do PIB neste ano.

O fato de se reunirem para tratar deste tema mostra a dimensão internacional que a crise financeira da Irlanda tomou: a dívida astronômica de seu setor bancário, duramente afetado pela explosão de uma bolha imobiliária, traz o temor de um contágio a outros países, não apenas europeus.

O plano da Irlanda tem como meta levar o deficit público, atualmente 32% do PIB, a 3% em 2014, conforme as exigências da União Europeia.

As novas medidas de austeridade, que chegam após planos de economia já drásticos, anunciados em série desde 2008, devem acelerar a redução do quadro de funcionários e aumentar os cortes dos subsídios de desemprego e familiares, e devem afetar inclusive o salário mínimo.

Fonte:
Folha Online

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