Inflação dos alimentos deve voltar a acelerar em março, dizem analistas

Publicado em 10/02/2011 14:27 301 exibições
Depois de reduzir o ritmo das altas, preços voltarão a avançar mais. Alta da demanda mundial e clima quente e chuvoso são alguns dos fatores.
O avanço do preço dos alimentos no país, que fez consumidores mudarem hábitos para driblar o aumento das despesas, começa a dar sinais de desaceleração. As taxas de variação de despesas relativas à alimentação continuam subindo, porém, em ritmo menor do que o observado no final do ano passado. Nesta semana, a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a alta de preços do grupo alimentação e bebidas, que compõe o cálculo da inflação no país, passou de 1,32%, em dezembro, para 1,16% em janeiro.
Variação dos preços de alimentos pelo IPC-S, da FGV. (Foto: Editoeia de Arte/G1)Variação dos preços de alimentos pelo IPC-S, da FGV.
(Foto: Editoria de Arte/G1)

No entanto, esse movimento de desaceleração não deve manter-se por muito tempo, de acordo com analistas ouvidos pelo G1. Altas temperaturas e valorização das cotações de commodities devem levar os preços, a partir de março, a níveis tão incômodos como os observados anteriormente.

Aliado a isso está a medida anunciada nesta quarta-feira (9) pelo governo federal. Para contribuir para o controle da inflação no país, puxada pelos alimentos, será feito um corte recorde de R$ 50 bilhões no orçamento federal de 2011, o equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

"Assistimos ao longo de janeiro a uma intensificação das altas das cotações de várias commodities agrícolas. Mesmo o preço da carne bovina, que registrou deflação em dezembro e, em parte de janeiro, no atacado, poderá voltar ao campo positivo. Essas altas das commodities agrícolas certamente pressionarão os preços no atacado [IPA-Agropecuário/FGV]. Isso, por sua vez, pressionará os preços dos alimentos no varejo", disse Fábio Romão, economista da LCA Consultores.

Entre os itens que tiveram as maiores disparadas de preço estão as carnes bovinas. O alimento chegou a ficar 10,71% mais caro em novembro de 2010, mas já esboça queda de 1,21% no final de janeiro, segundo aponta o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-S) medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) - tendência que não deverá ser mantida de acordo com o economista da FGV, André Braz.

Tradicional combinação da mesa do brasileiro, o arroz e feijão também apresentou deflação. Segundo o IPC-S, o recuo do item foi de 5,32% no final de janeiro, um pouco acima da redução verificada na semana anterior a essa.

No entanto, analistas já preveem safras piores em 2011. "Milho, soja e trigo não devem continuar com preços bem comportados", disse o economista da FGV.

Salada ainda mais cara
Na contramão das desacelerações estão as variações de preços de legumes e verduras. Conforme aponta levantamento da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), em janeiro foram registrados aumentos significativos devido às chuvas e às altas temperaturas em todas as regiões produtoras da região Sudeste.

“Alguns legumes e, principalmente, as verduras, computaram retração da quantidade ofertada, perda de qualidade e elevação dos preços praticados” analisa o economista da companhia, Flávio Godas. Em janeiro, o Índice Ceagesp teve alta de 4,45% e, nos últimos 12 meses, de 2,05%
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As acelerações de preços deverão ser ainda maiores nos próximos meses, segundo Godas, principalmente a partir da segunda quinzena deste mês, mantidas as previsões climáticas para os próximos meses.

Outros pesos
A atenção dos investidores, voltadas para as commodities, bem como o aumento da população urbana mundial, também têm exercido forte influência sobre os preços dos alimentos encontrados pelos consumidores, segundo Romão.

"Os investidores estão cada vez mais vendo no mercado de commodities uma opção rentável de aplicação. Aliado a isso está o aumento da demanda mundial por alimentos e o uso de biocombustíveis." As negociações envolvendo commodities são baseadas nas cotações praticadas nas bolsas de mercadorias de todo o mundo.

Fonte:
G1.com

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