Cotações das commodities seguem elevadas na BM&F

Publicado em 02/03/2011 08:03 543 exibições
O persistente cenário composto por demanda firme e problemas na oferta voltou a sustentar as cotações da maior parte das commodities agropecuárias negociadas na BM&FBovespa em fevereiro.

Cálculos do Valor Data, baseados nas médias mensais dos contratos de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez), mostram que apenas a soja fechou o mês passado com preço médio inferior ao de janeiro (1,01%). Café arábica, etanol, boi e milho apresentaram altas. Em relação às médias de dezembro e de fevereiro de 2010, todas as variações continuaram positivas, de 33% (boi gordo) a 106,34% (café).

Com valorização de 16,99% sobre janeiro, o café foi, mais uma vez, o grande destaque agropecuário na BM&FBovespa em fevereiro. E, se depender dos fundamentos, tem chances de repetir a dose em março. Como lembrou Luiz Wagner Delfante, operador da mesa de commodities agrícolas da Fator Corretora, a colheita do Brasil neste ano será menor por conta da bienalidade da cultura, há incertezas relacionadas à oferta da Colômbia e os consumos internacional e doméstico seguem firmes.

No caso do etanol, como já informou o Valor, a grande surpresa do primeiro bimestre foi a demanda interna mais aquecida do que o normal para o intervalo, o que em tempos de entressafra de cana e cotações do açúcar nas alturas acabou por determinar um preço médio 5,43% maior em fevereiro que em janeiro.

No mercado de boi, a oferta apertada sustenta as cotações. Conforme Delfante, há frigoríficos sem boi e, devido ao feriado da semana que vem (Carnaval), no mercado físico poderá haver novos reajustes para cima. Ontem, no mercado paulista, a arroba à vista foi negociada de R$ 102 a R$ 104.

Outro analista, que preferiu o anonimato, realçou que frigoríficos de São Paulo estão em busca de animais em Estados como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, que as escalas de abate estão curtas (dois ou três dias) e que os pecuaristas não estão com pressa em vender, uma vez que as chuvas são um convite para a manutenção dos bois no pasto.

Os grãos, por sua vez, permanecem vinculados às oscilações internacionais, sobretudo as da bolsa de Chicago, sua principal referência mundial. Com as fortes quedas na última semana de fevereiro, derivadas de movimentos financeiros ligados à crise no Oriente Médio e no norte da África, houve a leve queda da soja e, ainda na BM&F, a alta do milho foi inferior a 1%.

Fonte:
Valor Econômico

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