Código Florestal: relato do Globo Rural

Publicado em 06/04/2011 07:53 e atualizado em 06/04/2011 09:05 422 exibições
Agricultores ocuparam a Esplanada dos Ministérios. O motivo é a aprovação imediata das mudanças no Código Florestal. Os produtores rurais foram recebidos pelo presidente da Câmara.
Mais de 20 mil produtores rurais de várias regiões do país tomaram conta da Esplanada dos Ministérios, na terça-feira (5), em Brasília, para pedir ao Congresso Nacional a aprovação imediata das mudanças no Código Florestal.

As comitivas chegaram cedo à Esplanada dos Ministérios e ocuparam o canteiro central. Para o café da manhã a CNA, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, preparou uma mesa coberta com 80 mil frutas e 20 mil fatias de bolo ao som de música regional.

Os boiadeiros também subiram no palco montado no gramado. Depois da missa campal, a chuva caiu forte na Esplanada, mas não desanimou os produtores. A Polícia Militar estima que 22 mil pessoas tenham participado do evento.

A manifestação foi tranquila na Esplanada dos Ministérios. Os produtores rurais, vestidos de branco, vieram trazer aos parlamentares os motivos pelos quais eles defendem as mudanças no Código Florestal.

Um grupo veio de Apuí, no Amazonas. Eles pegaram estrada de terra, barco e avião. Reclamaram que a lei atual não permite plantar nas áreas de várzea. Por isso, apoiam a proposta que prevê mudanças.

Já os produtores de Juína, no noroeste do Mato Grosso, querem que as pequenas propriedades fiquem isentas de recompor a reserva legal.

O presidente da Federação dos Agricultores de Mato Grosso, que liderou a comitiva, pediu pressa na aprovação do novo Código Florestal. “Cerca de 90% dos produtores brasileiros têm alguma irregularidade, então nós queremos essa votação. Nada mais justo que o Congresso faça sua parte, ou seja, vote as matérias que os produtores, no caso, a sociedade, está precisando”, disse Rui Prado.

O deputado Aldo Rebelo, autor do relatório que altera o Código Florestal, esteve com os manifestantes. E prometeu apresentar o texto final até o fim desta semana. “Acredito que mais de 90% do texto é de consenso restando apenas uma ou duas questões que talvez não cheguem a um acordo final”.

Durante os protestos, do lado de fora do Congresso, a Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira conversou com o presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia e disse que o governo está preocupado com as mudanças no Código.

Os produtores rurais foram recebidos, no fim da tarde, pelo presidente da câmara. O deputado Marco Maia preferiu não prometer um prazo para a votação do relatório que propõe mudanças no Código Florestal, mas disse que espera que o texto vá para discussão em plenário até o fim deste mês.

Agricultores promovem ato na Esplanada dos Ministérios

Enquanto CNA apoia proposta de mudança da lei em vigor, integrantes da Fetraf criticam flexibilização e montam acampamento em frente ao Incra

Membros da Fetraf acampam em frente ao prédio do Incra. Eles criticam mudançasNa manhã de hoje, o trânsito na Esplanada dos Ministérios foi parcialmente interrompido por causa de uma manifestação de grandes produtores rurais de todo o País, que pedem a aprovação do novo Código Florestal. O protesto, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), reuniu cerca de 20 mil pessoas, que participaram de uma programação que incluiu missa campal, "abraço simbólico" no Congresso Nacional e visitas a parlamentares para pedir apoio à proposta de original do deputado Aldo Rebelo (PcdoB), que altera a lei em vigor.

Mas não são apenas grupos favoráveis ao texto de Rebelo que estão em Brasília. Grupos ambientalistas devem reagir com atos públicos contra a flexibilização da lei ambiental. Desde ontem, integrantes da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf) acampam em frente ao prédio do Incra. Eles criticam as mudanças propostas pelo parlamentar para o Código Florestal. Hoje, membros da Fetraf devem entregar documento que visa a unificação da agricultura com a defesa ambiental e chamam a proposta de Rebelo de "destruidora", alegando que a produção de alimentos e o meio ambiente devem estar juntos.

Na defesa, o parlamentar disse que o objetivo é "tirar da ilegalidade praticamente toda a agricultura brasileira, em especial aquela praticada pelos pequenos agricultores, que fornece 70% dos alimentos que os brasileiros colocam na mesa". "O projeto de lei elimina outro gargalo que atrapalha o desenvolvimento do País ao oferecer para os Estados a possibilidade de definirem suas próprias regras ambientais", justificou.

Fonte:
Globo Rural + Jornal Coletivo

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