Indústria de máquinas agrícolas prevê queda de 30% na exportação

Publicado em 05/05/2011 09:59 716 exibições
A maior feira do agronegócio brasileiro, com faturamento projetado em R$ 1,2 bilhão –, as indústrias relatam dificuldades para sustentar, durante 2011, os recordes de vendas do ano passado. O problema não está só no mercado interno, que absorveu 68,5 mil máquinas em 2010 (24% a mais que no ano anterior) e que agora opera com juros mais elevados. O principal entrave é o bloqueio às máquinas brasileiras imposto pela Argentina desde janeiro, que já barrou cerca de 2,5 mil tratores e colheitadeiras, negócios avaliados em R$ 245 milhões. A projeção para a Agrishow considera incremento de 5% e as previsões para o mercado interno são otimistas, mas as exportações devem cair 30%, conclui o setor.

É como se a Argentina tivesse “rasgado” o acordo automotivo mantido com o Brasil, reclamou o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Milton Rego, em entrevista coletiva na Agrishow. A feira segue até sexta-feira, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Diante de um salto de 26% em 2010, a Anfavea apontava para crescimento de 7% nas exportações neste ano, que atingiriam a marca de 20 mil unidades. Porém, a situação se inverteu. Conforme Rego, se os embarques à Argentina fossem retomados imediatamente, o Brasil ainda encerraria o ano com queda de 5% a 10% nas vendas. “Se esse cenário persistir, as exportações podem recuar 30%, que é o tamanho da fatia argentina nas vendas externas brasileiras”, disse. Até agora, o Brasil deixou de exportar 1.700 tratores e 800 colheitadeiras. A Argentina é o principal mercado importador.

CNH, John Deere e Agco, trio que domina produção e exportação de máquinas agrícolas no Brasil, relatam ainda não estarem sofrendo fortemente a pressão do encalhe de máquinas. Estariam redirecionando os embarques para Bolívia, Paraguai e Uruguai.

O governo brasileiro e as indústrias locais tentam negociar com Buenos Aires, mas o impasse estaria longe do fim. As reuniões estão ocorrendo de dois em dois meses. A Argentina quer reduzir as importações e favorecer a produção nacional. No ano passado, registrou déficit de US$ 450 milhões na balança comercial do setor, ao imporar 85% dos 6,5 mil tratores e 75% das 1,2 mil colheitadeiras comercializadas no país.

As restrições argentinas ao comércio bilateral de máquinas agricolas têm peso diferente para cada indústria situada no Brasil. Esse peso é proporcional à participação do país vizinho nas exportações e à estratégia adotada pela montadora para enfrentar o bloqueio. Entre as grandes montadoras, a John Deere deve ser uma das mais afetadas, já que concentra 50% dos seus embarques no país vizinho.
Fonte:
Gazeta do Povo

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