Gleisi pede 'sabedoria' para nova missão e rejeita rótulo de 'trator'

Publicado em 08/06/2011 16:11 221 exibições
Gleisi Hoffmann (PT-PR) discursou no Senado antes de assumir Casa Civil. Ela rebateu quem a chama de 'trator': 'Não considero a melhor metáfora'.
Em discurso de despedida no Senado na tarde desta quarta-feira (8), Gleisi Hoffmann (PT-PR) agradeceu "a convivência democrática" na Casa e disse que espera exercer com "sabedoria" a nova função, de ministra-chefe da Casa Civil. Ao citar a relação com os demais parlamentares, rejeitou o rótulo de "trator", conferido a ela por um líder da oposição.

Ela foi escolhida pela presidente Dilma Rousseff para substituir Antonio Palocci, que deixou o cargo na terça. Gleisi toma posse na Casa Civil na tarde desta quarta.

"Quero dizer que meu afastamento do Senado não me afasta dos compromissos que assumi. Estou mudando de instância, mas não de caminho. (...) Peço a Deus sabedoria para exercer essa nova tarefa", discursou Gleisi no plenário do Senado.

Gleisi afirmou que terá uma "responsabilidade grande" e que continuará defendendo o governo de Dilma. "A presidenta Dilma me designou uma nova missão e vou cumpri-la. Minha caminhada tem razão de ser, a responsabilidade é grande. (...) Sempre fui muito incisiva na defesa de seu governo, não pelo simples fato de pertencer a sua base, mas sobretudo porque acredito no projeto que ela representa para o futuro do país."

'Trator'
Crítica da forma como líder do governo no Senado Romero Jucá (PMDB-RR) negociava com os oposicionistas, a senadora petista ganhou do líder do DEM, Demóstenes Torres (GO), o apelido de “trator”, já que defendia o uso da maioria governista para aprovar matérias contra a vontade da oposição, sempre minoritária. “Maioria é para ser exercida”, dizia Gleisi.

No discurso de despedida, ela rebateu os comentários: "Me perguntaram ontem na conversa com a imprensa o que teria a dizer sobre a menção, por alguns oposicionistas, de que sou um trator. Não considero esta a melhor metáfora para quem exerce a política e sempre se dispôs a debater, ouvir e construir consensos. A manifestação democrática é o maior instrumento que temos para avançarmos no desenvolvimento do nosso país."

Oposição
No discurso, Gleisi manifestou ainda a "deferência aos integrantes da oposição". "Todos foram adversários duros no debate, mas prevaleceu sempre a convivência democrática. (...) Gostaria muito de manter a convivência respeitosa que iniciamos nesta Casa. Não teve um dia que não recebi um incentivo, um novo ensinamento, palavra de apoio e de amizade."

Pouco antes de iniciar o discurso, Gleisi foi cercada por alguns senadores no plenário que quiseram cumprimentá-la pelo cargo. O senador Aécio Neves, um dos principais líderes do PSDB, abraçou a senadora, que pediu ajuda para dialogar com a oposição.

A senadora Vanessa Graziottin (PCdoB) também cumprimentou Gleisi e pediu uma foto com as "mulheres no Senado".

Atuação de Gleisi
Em cinco meses de atuação no Congresso, a senadora apresentou 19 propostas, relatou 34 matérias e fez 54 pronunciamentos no plenário do Senado, sem considerar o despedida.

Senadora em primeiro mandato, Gleisi construiu uma imagem de parlamentar atuante, presente em quase todas as sessões da Casa e que sempre utilizava o microfone para rebater ataques da oposição ao governo.

Desde que assumiu o mandato em fevereiro, Gleisi apresentou um projeto de decreto legislativo, uma proposta de emenda à Constituição, oito projetos de lei do Senado e dois projetos de resolução. Ainda foram apresentados pela petista sete requerimentos.

Projetos
Gleisi foi designada relatora de 22 projetos de lei do Senado, de quatro projetos de decreto legislativo, três projetos de lei da Câmara, além de um requerimento e quatro mensagens do Senado.

A nova ministra-chefe da Casa Civil era titular das comissões de Assuntos Econômicos, de Agricultura, e de Relações Exteriores. Gleisi também era integrante da CPI do Tráfico Nacional e Internacional de Pessoas e integrava subcomissões da Casa.

No Senado, Gleisi utilizou R$ 48,9 mil para custear atividades do seu gabinete. A senadora mantinha uma equipe de 17 assessores.

Fonte:
G1.com

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