Bolsas subiram e dólar caiu com voto de confiança na Grécia

Publicado em 22/06/2011 08:07 151 exibições
A terça-feira começou e terminou pautada por um único assunto: a votação que o Parlamento da Grécia faria (e fez) sobre o novo gabinete do primeiro-ministro George Papandreou.

Os agentes operaram “comprados” em Papandreou, ou seja, montaram posições acreditando na vitória do premiê; por isso, a valorização nas bolsas de valores e commodities e a queda na cotação da moeda americana.

O resultado da votação só saiu após o encerramento dos pregões (por volta da 1 hora da manhã no horário da Grécia) e confirmou a “aposta” do mercado. O voto de confiança foi dado e a próxima batalha é aprovar as medidas de austeridade, que funcionam como contrapartida à liberação de recursos para o país equalizar seu endividamento de curto prazo.

O que pode desagradar parte dos agentes ou mesmo estimular uma reação negativa do mercado em vez de uma continuidade das compras nesta quinta-feira é o placar da decisão. Foram 155 votos a favor dentro de um universo de 300 congressistas. Ou seja, a vitória apertada deixa a impressão de que a votação para cortar gastos e elevar impostos também deve ser complicada.

Se Papandreou perdesse essa votação, a probabilidade de calote subiria ainda mais, pois a Grécia poderia entrar em processo eleitoral, ficando sem governo para negociar acordos com organismos multilaterais.

De volta à terça-feira, o Dow Jones encerrou com valorização de 0,91%, a 12.190 pontos. O S&P 500 subiu 1,34%, a 1.295 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 2,19%, a 2.687 pontos.

Entre as matérias-primas, o barril de WTI com vencimento para julho avançou 0,15%, a US$ 93,40. Esse contrato expirou ontem e a referência é o barril para agosto, que ganhou 0,57%, a US$ 94,17.

Bovespa

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) seguiu a alta das matérias-primas e do mercado americano e garantiu valorização. O Ibovespa teve ganho de 0,42%, aos 61.423 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 4,6 bilhões.

O estrategista de renda variável da CM Capital Markets, Rafael Espinoso, avaliou que a melhora de humor dos investidores tem consistência e que o risco de fato diminuiu.

Segundo ele, a recuperação mais forte das bolsas americanas deve estimular o mercado nacional. “Com o S&P 500 de volta aos 1.300 pontos, o mercado deve retornar à bolsa brasileira, que segue muito barata”, observou.

Câmbio

Tanto o câmbio local quanto o externo operaram em cima do “boato” e não em cima do “fato” na terça-feira. Não havia nada de concreto sobre a Grécia, mas os agentes mantiveram o tom positivo esperando a votação na Grécia.

Por aqui, o dólar comercial encerrou com baixa de 0,37%, a R$ 1,589 na venda, completando o terceiro dia de queda. Na mínima, a moeda foi a R$ 1,587.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar pronto recuou 0,38%, para R$ 1,588. O giro caiu de US$ 340,75 milhões para US$ 186,5 milhões.

No mercado futuro, o dólar para julho registrava desvalorização de 0,65%, a R$ 1,5905, antes do ajuste final.

O dólar também perdeu espaço no câmbio externo. O Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, perdeu cerca de 0,50%.

Apoiado nessa expectativa positiva com relação à Grécia, o euro subiu com firmeza, retomando a linha de US$ 1,44. Também foi noticiado que o novo ministro das finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, planeja votar ainda este mês o plano de corte de gastos, se antecipando à reunião de ministros europeus, agendada para o dia 3 de julho, que deve definir novo empréstimo para o país lidar com seu endividamento.

Para o diretor da Corretora Futura, André Ferreira, os problemas da Grécia não acabam com esse voto ou mesmo com a aprovação das medidas. Em poucos meses, o país volta ao foco, pois há mais dívidas para rolar.

Fora isso, lembra Ferreira, não são só as notícias da Grécia que fazem o mercado. Na quarta-feira, os agentes acompanham com atenção o pronunciamento do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, sobre a economia dos Estados Unidos, que passa por um momento de menor crescimento.

Juros futuros

Depois de alguns dias rondando a estabilidade, os contratos de juros futuros de longo prazo tomaram rumo. As taxas longas encerraram o dia apontado para cima. O volume negociado também subiu.

Segundo o sócio da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, dois vetores explicam a alta. O doméstico é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de junho, que, apesar do recuo de 0,70% em maio para 0,23%, ficou acima do previsto.

Fora isso, sua composição reforçou a percepção de que essa baixa nos preços tem caráter pontual. Os núcleos, que tiram da conta itens mais voláteis, pioraram, assim como, o grupo de serviços.

“Ou seja, passado esse episódio de números fracos, manteríamos um nível bastante perigoso nos preços”, diz Goulart.

O vetor externo foi a melhor percepção com relação à Grécia. “Com o mercado mais animado, o risco de desaceleração acentuada fica um pouco de lado”, explicou.

De volta ao front local, Goulart aponta que, apesar de ata do Comitê de Política Monetária (Copom) ter sinalizado alta da Selic em julho, esse é um resultado ainda em aberto. Justamente pelas incertezas que rondam o quadro externo, como o rumo da política monetária nos Estados Unidos, o crescimento da China e os problemas de endividamento na Europa. Soma-se a isso o comportamento da inflação e do crescimento por aqui.

Mesmo com probabilidade menor, Goulart não descarta a possibilidade de o Copom optar pela estabilidade da Selic em 12,25% no próximo encontro.

Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2011 apontava baixa de 0,01 ponto percentual, a 12,12%. Outubro de 2011 marcava estabilidade a 12,34%. E janeiro de 2012 projetava 12,45%, alta de 0,02 ponto

Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013, o mais líquido do dia mostrava alta de 0,07 ponto, a 12,56%. Janeiro de 2014 também ganhava 0,06 ponto, a 12,46%. Janeiro de 2015 também avançava 0,06 ponto, a 12,44%. Janeiro de 2016 subia 0,05 ponto, a 12,35%. E janeiro de 2017 aumentava 0,04 ponto, a 12,26%.

Até as 16h10, foram negociados 1.051.258 contratos, equivalentes a R$ 90,88 bilhões (US$ 59,91 bilhões), quatro vezes mais do que o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2013 foi o mais negociado, com 305.220 contratos, equivalentes a R$ 25,48 bilhões (US$ 15,95 bilhões).

Fonte:
Valor Online

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